sexta-feira, 31 de maio de 2013

Blog do Dido Recomenda: Bruce Lee, A arte de Expressar o corpo humano







Enquanto não sai a entrevista com meu Sibaak Cleber Domingues,o Blog do Dido recomenda esta obra muito interessante para qualquer artista marcial de qualquer estilo. O livro Bruce Lee A arte de Expressar o corpo Humano, compilado por Jhon Little, discípulo de Bruce Lee é uma publicação da Conrad publications e é um bom complemento ao best seller Tao of Jeet Kune Do,pois parte das anotações da agendas do próprio Bruce Lee. O livro não se foca na técnica do Jeet Kune Do, mas em como Bruce Lee também focou seu treinamento para o desenvolvimento pessoal,melhorando seu condicionamento físico através de seus métodos de treinamento,abordando desde os exercícios físicos até sua nutrição,visando chegar nos resultados que o tornaram um dos físicos mais invejados entre os lutadores de artes marciais. Por isso, ''A arte de expressar o corpo Humano'', torna-se assim um guia completo e essencial de preparação física. O livro ainda trás fotos muito legais dos aparelhos de treino de Bruce Lee e dele mesmo exercitando-se,nos set de filmagens,etc...

Simplesmente indispensável!


sábado, 18 de maio de 2013

Anúncio; Especial Entrevistas




Este mês, o Especial Entrevistas do Blog do Dido retornará em breve e nosso entrevistado especial é um dos maiores expoentes da arte marcial chinesa no Brasil, Sifu Cleber Domingues.

Está imperdível!!!!

sábado, 4 de maio de 2013

Trecho do livro Wing chun Warrior

Nesta postagem trago aos amigos leitores um pequeno trecho do livro ''Wing chun warrior, true fighting episodes...'' que narra a história de sitaaigung Duncan Leung. O trecho em questão é um dos que mais me chamam a atenção,pois narra o encontro de Sitaaigung com outros praticantes de Wing chun residentes nos E.U.A.. A lição que eu particularmente tiro deste trecho,resumidamente falando é que quando se tem a auto-confiança advinda da própria técnica,quando você conhece seus próprios limites e capacidades, problemas ''políticos'' passam a não incomodar e que de fato, não existe um ''wing chun melhor do que outro wing chun'',contanto que haja bons resultados em termos práticos,ou usando a analogia do próprio sitaaigung ; "Pouco importa se o gato é branco,preto,ou cinza contanto que ele saiba caçar ratos''.O resto é conversa fiada.

Espero que nossos amigos leitores possam tirar algo de valor sobre a arte com esse pequeno trecho.





WING CHUN REAL
(Nova York, ano 1974)

“Aqueles que sabem não o dizem;
aqueles que dizem que sabem não sabem nada”
(Zhi zhe bu Yan) (Yan zhe bu zhi)
Laozi (580 AC)


Laozi, de quem a sua profunda filosofia se tornou uma religião a nível
mundial -Taoísmo- viveu durante o período (770-474 AC). Ele nasceu antes
que Confúcio (551-479 AC), porem, os dados da sua biografia são
obscuros. O lugar e a forma em que Laozi morreu são igualmente
obscuros.
O conceito do rei de Yilang (ye Lang zi da) é uma expressão
idiomática que se refere às pessoas que alardeiam achar que sabem
porem, têm pouco conhecimento das coisas. Foi escrito pelo renomado
historiador Sima Qian(140 AC)no seu livro: “Registros do Historiador”. O
rei de um diminuto condado durante a Dinastia Han (206 AC-220) se
gabava do tamanho e da riqueza do seu reino, quando, na realidade o seu
reino era do tamanho de uma pequena cidade do Império Han.





A primeira Academia de Duncan, situada na Rua Great Jones n 3 se
encontrava em um dos bairros menos desejados ás margens do bairro
chinês em Nova York. Porém, o aluguel não era caro e tinha um espaço
amplo aonde ele podia dar aulas e praticar.
Os colegas do NYPD (ver capitulo 22) foram leais com as suas palavras.
Eles vieram para aprender e indicaram não tão somente aos seus colegas,
mas também a seus amigos e parentes. O negocio de Duncan deu um
rápido salto de inicio.
Um dia Duncan estava treinando os seus alunos quando um chinês, de
mais de 40 anos usando uma toga tradicional chinesa longa, entrou na sua
academia seguido por um grupo de alunos, todos usando camisetas
brancas e calças pretas de Kung Fu.
O líder do grupo olhou em volta tentando entender quem era o instrutor;
“Eu sou Sifu X”. Quem é Duncan Leung?”
“Sou eu”
“Você e Sifu Leung?” Julgando a Duncan. Ele se surpreendeu de encontrar
um homem jovem que aparentava ter a idade de 20 anos. Embora 32
naquele momento,Duncan parecia muito mais jovem do que a sua
verdadeira idade.Aparentemente , ele não olhou para Duncan com se
fosse um Sifu.
O homem disse; ”Eu sou o mais velho discípulo de Yip Man” (Ele quis dizer
dos Estados Unidos).
Então você é o meu irmão mais velho de Kung Fu “disse Duncan.
“Agora que você esta ensinando Wing Chun, eu gostaria convidar você
para se juntar à Federação de Wing Chun Kung Fu”.
“Claro. Vai ser bom encontrar irmãos de Wing Chun” Duncan respondeu.
“Aqui esta o meu endereço em Brooklin. Haverá uma reunião na Quarta.
Por favor, faça o esforço de estar presente” entregando a Duncan o seu
cartão e partiu.

No dia do encontro, Duncan, junto com seu discípulo Ma Man Nam e um
par de alunos, chegaram ao endereço em Brooklin. A academia tinha
muitos quartos, incluindo um quarto para desafios. Duncan enxergou um
Boneco de Madeira em um dos quartos e entrou para dar uma olhada.



“Não toque nele. Este boneco pertence ao meu Sifu. Ninguém pode tocar
nele sem a sua permissão”. Disse um dos estudantes para Duncan de
forma muito seria.
“OK, OK, Não tocarei nele. Nenhum problema” Logo Duncan não
conseguiu se aguentar e agregou: ”Em todo caso, os braços do boneco não
estão no lugar correto”.
Depois, de todo mundo ter se juntado ao redor da mesa de conferencia
Sifu X introduziu a Duncan: “Ele é Sifu Leung. Ele disse que aprendeu de
Yip Man”
As suas palavras e o tom em que falava deixava óbvio de que estava
colocando a Duncan em posição delicada para criar um clima de
desconfiança por parte dos seus seguidores.
“Deixe-me aclarar este assunto; Nós somos muito democráticos.
Obsevamos tradição e respeito pelos nossos mais velhos. Antiguidade é
importante e por tanto a presidência sempre é conduzida pelo membro
mais antigo. Não é ganha por eleição. Eu sou o mais antigo na America do
Norte e desde o inicio tenho sido o presidente”. Obviamente o Sifu X
gostava de ser o presidente. “A conferencia norte americana de Kung Fu
convidou a pessoas para demonstrar o Wing Chun”, ao tempo em que Sifu
X pronunciou a última palavra, olhou diretamente para Duncan, que
respondeu:
“Eu sou novo na cidade e somente agora comecei a dar aulas. Eu não sei o
que fazer. Se existe alguma coisa que eu possa fazer para ajudar, por
favor, me digam”
“Sifu Leung é muito raro que você se proclame um discípulo de Yip
Man. Eu sou o mais antigo aqui. Eu fiquei com Yip Man a maior parte do
tempo. Como é então que eu nunca vi você na Academia de Yip Man?”
Argumentou Sifu X. A sua declaração tinha sido muito bem preparada. De
fato tinha sido bem ensaiada.

Duncan respondeu “Quando você começou a aprender com Sifu Yip
Man?”

“1__9__6__4.” Cada palavra foi pronunciada bem devagar de um jeito
calculado e de forma deliberada para ele se gabar do seu cedo
comparecimento as aulas de Yip Man.

“Oh, isso explica tudo. Eu completei as minhas aulas particulares em 1959
quando fui morar na Austrália. De forma alguma podíamos ter nos
conhecido”, respondeu Duncan de forma amena.
Esta noticia foi inesperada. Agora a sua expressão facial tinha mudado.
“Nesse caso eu deveria chamar você de “Sihing” (irmão mais velho de
Kung Fu) e você deveria ser o presidente", ele replicou relutante.
“Primeiramente, eu não quero ser o presidente. Eu sou novo na cidade e
nem conheço onde fica o Norte e o Sul da cidade. Segundo, dar aulas de
Kung Fu não é a minha carreira. Esta é uma medida temporária. Terceiro
você é um bom organizador e tem sido o presidente durante tanto tempo.
Você é a escolha natural. Não tem importância quem é o mais velho aqui.
Você tem mais idade do que eu; além do mais, eu não tenho problema
algum de me direcionar a você como o meu irmão mais velho (Sihing)”
Sifu X insistiu e Duncan se resistiu, porem, quando a reunião
eventualmente terminou a atmosfera estava amigável e o Sifu X
permaneceu sendo o presidente.
Um dia um ano após o acontecido, Duncan retornou para sua academia
depois do almoço e a encontrou totalmente vazia. Nenhum dos seus
estudantes estava lá. Duncan, se questionando onde todo mundo estaria,
pegou um jornal e começou a ler. Logo então Ma Man Nam entrou na
academia seguido por um grupo de alunos exclamando “Sifu, estamos em
problemas”
“Onde estão todos?” Duncan perguntou.
“Todos eles partiram para a academia do Sifu X”
“Para quê?”
“Eles leram um artigo no jornal e foram para a outra escola para lutar por
justiça.” Ma Man apontou para o artigo no jornal:

“A nossa Academia ensina Wing Chun puro”

Duncan entendeu imediatamente porque os seus estudantes tinham
ficado furiosos. Eles tinham toda a razão de ter se sentido assim. O artigo
no jornal insinuava que o que eles estavam aprendendo era Wing Chun
impuro. Ele saiu imediatamente e foi na academia do Sifu X para
terminar com esta disputa antes que ficasse fora de controle.
No momento em que Duncan chegou os dois grupos estavam se
apontando e discutindo em voz alta enquanto veementemente o Sifu X se
encontrava calmamente sentado na sua cadeira,não fazendo nada para
acabar com esta situação desagradável. Ele parecia curioso sobre a atitude
que Duncan iria ter em relação á situação
Duncan interrompeu o argumento gritando aos seus alunos “Parem de
discutir. Quem se importa se o Wing Chun de quem é puro ou não? Que
desperdício de tempo. Vamos, voltemos a nossa academia”.



De má vontade se viraram em direção à porta, sentindo se derrotados. O
amor próprio deles tinha sido ferido e com certeza se questionaram por
que o seu Sifu não os defendeu. Este sofrimento causou muita pena a
Duncan. Duncan sentiu que provavelmente os seus alunos tal vez
achassem que existia algo de verdade naquele artigo do jornal.
Vendo que Duncan não mostrava um temperamento de confronto, o Sifu
X se levantou da cadeira e começou a falar para os seus alunos (os alunos
dele e os alunos de Duncan) sobre o Wing Chun puro.

“Ora bolas! Pare com o seu discurso. E uma perdida de tempo” Disse
Duncan para aquele Sifu.
“Não, não é uma perdida de tempo. As gerações mais novas precisam
saber o que verdadeiramente é o Wing Chun puro. Eu preciso ensinar eles
que existe um céu atrás do céu (tian wai you tian), e lhes explicar que
sempre existe alguém melhor” ele respondeu.

Duncan não conseguiu aguentar tamanho desaforo e finalmente tomou
este último comentário como um insulto. Colocou-se na frente do Sifu X e
o apontando com o seu dedo indicador, disse: “X, o que você esta ensinando
agora? Se você é tão bom quanto parece então lute comigo neste mesmo
momento! Se eu perco fecho a minha academia e se você perde você
fecha a sua. Você não se equipara comigo! Eu ate poderia atar minhas
pernas uma contra a outra e amarrar um dos meus braços contra o meu
corpo e mesmo assim venceria de você só com um braço!” respondeu
Duncan. Nesse estado exaltado Duncan pronunciou um desafio que não
poderia ser refutado.
“Será que não mesmo?” refutou Sifu X. “Para evitar a desarmonia entre
irmãos, de agora em diante estarei ensinando um novo estilo de Kung Fu”,
ele anunciou. Logo após o acontecido ele retirou a sua placa da Academia.
Por consideração frente a um colega de Arte Marcial, Duncan Leung não
identificou o nome real daquele Sifu.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Grupo de treinamento regular

Nos últimos meses tenho focado meus treinamentos visando o retorno á Salvador para dar continuidade ao meu treinamento regular da fase Chum Kiu e exatamente como Sifu sempre me fala, é importante termos parceiros de treino ao nosso lado,para que possamos treinar e praticar com o máximo de realismo,com um atacante que vai ''soltar a mão'' e fazer você ver como a técnica vai funcionar de fato.Ou seja,ninguém cresce no wing chun sozinho.Isso é fato.



(Me preparando para o treino do dia)

Sendo assim, meu grande desafio tem sido me manter treinado nesse aspecto. Devido as dificuldades cotidianas,é sempre meio complicado manter uma certa regularidade e encontrar as pessoas, mas mesmo assim, aqui em Recife tenho dois grandes parceiros de treino que estão não somente me auxiliando nesse ponto, mas crescendo todos juntos, e são eles o Juan ponce, já citado aqui e o Thiago E..

Juan é discípulo de mestre Cleber Domingues,Si-hing de Sifu. Já o Thiago treinou em diversas linhagens e foi aluno dos primeiros discípulos recifenses do mestre Alberto França. Desde que estamos coordenando os treinamentos, todas as segundas-feira no parque da jaqueira,estamos fazendo um bom ritmo.

Foto
(Juan,meu primo kung fu e eu,zoando a foto,pra variar)

Thiago E. já treinou wing chun em Portugal e tem uma visão bastante peculiar sobre os aspectos da arte. No ultimo treino,fizemos além das formas,correções de Lap Sao,fizemos uma sessão de Circle Drills e muito feliz fiquei em ver o Thiago utilizando técnicas de forma solta.

Foto
(Thiago e eu no fim do treino no parque da Jaqueira)

Apesar de sermos amigos, não fazemos um ''treino de compadre'' não. Estamos sempre puxando uns aos outros á fazerem mais e dar o máximo nos treinos. Quanto mais constantes forem os treinamentos,mais iremos crescer na arte.A parceria com esses dois grandes caras está dando bons frutos e a idéia é desenvolver ao máximo aquilo que já estamos fazendo de bom.

Abaixo,um pequeno resumo do conteúdo visto na segunda passada.

Conteúdo do treino de segunda feira passada; 
Siu Lin Tao (forma)
 correções de Lap Sao(using the elbow to attack)
fighting drills on the circle; Thiago ; Pak da/tan da, Dido; Lan gerk/tan da,saam kwock mah pak (ou gun) da,Juan :Kwan sao/pak da/li wan choy/Soh Gerk

domingo, 14 de abril de 2013

Meu futuro To-Dai...

Pouca gente sabe mas na minha família consanguínea existe uma ''tradição'' marcial. È meio que natural que existam em minha família lutadores e praticantes de vários estilos de artes marciais e a escolha de determinada modalidade algumas vezes surge de forma natural,outras,á partir de escolhas pessoais.

Por exemplo o meu pai,Sr. Nilson, praticante de Tae Kwon Do em sua juventude nos anos 70/80. Segundo seu Mestre,Ms Márcio Gomes,que tive a honra de conhecer ha alguns meses atrás, além de meu pai ter um inclinação natural pra luta e ser muito melhor no combate que nas formas(segundo ele mesmo ainda,os treinos eram hardcore,sem equipamentos protetores e levado ao limite do esforço físico) ele era um talento natural pra luta.


Meu pai e minha mãe no restaurante no dia do meu aniversário ano passado.

Assim como um de meus tios,que pratica boxe informalmente e meu primo-irmão Antônio Júnior,conhecido no underground do karatê shotokan como ''Pajé'' e que já foi campeão pernambucano de Kumitê tendo derrotado o então campeão de sua categoria no inicio dos anos 2000,em 1996 eu e meu irmão,Anderson Bernardo ainda adolescentes, iniciamos nosso treinamento nas artes marciais dando continuidade á ''tradição'' da família,eu nno kung fu,meu irmão praticando Muay Thay e capoeira.

A gente que cresceu ouvindo aquela famosa frase ; ''Se apanhar na rua, vai apanhar em casa também'', começamos a nos dedicar á treinar artes marciais visando não apanhar nos campinhos de futebol e os famosos ''flipers'' onde vez ou outra,sempre rolava uma briguinha.

Apesar de isso ser de um passado um tanto distante, hoje em dia,eu praticando o applied wing chun em Salvador com Sifu,aprendendo e treinando em alto nível,vejo o  quanto os treinamentos daquela época eram toscos e de certa forma pueris...isso até alguns meses atrás, achava que eu seria o único a dar continuidade de forma séria a nossa pequena tradição informal...até que meu irmão me fala que voltou a praticar artes marciais (dentre outros motivos pela natureza de seu ofício) e introduziu o mais novo membro da família na nossa tradição familiar.






Este de kimono é Allan,meu sobrinho. Ele começou a praticar judô logo aos 3 anos de idade e conseguiu a façanha de ser o mais jovem de nossa família a iniciar seus treinamentos em artes marciais.
Claro que isso de forma lúdica e sem pretensões ainda, mas desde o começo que ele mostrou interesse pelas artes marciais,como fica evidente na foto abaixo.



Aqui apareço fazendo um light sparring,ocorrido no intervalo entre minha primeira e a segunda ida á salvador  com meu amigo,o já citadíssimo aqui no blog João Artur... e quem surge feito um ninja querendo lutar igual ao ''tití'',como ele me chama???

O caso é que Allan,por alguns problemas congênitos, desde o início foi encorajado por mim e por meu irmão á praticar artes marciais,isso para criar nele desde cedo a auto-confiança necessária para superar e se adaptar aos seus probleminhas. Indiquei o Judô de inicio e meu irmão concordou,apesar de questionar o porquê de eu não me ''auto-indicar'' para ser seu tutor.



Allan e eu comemorando o aniversário dele de 4 aninhos

Mas o caso é que ele ainda é muito novinho pra aprender Wing chun,apesar de que quando estou treinando nessa mesma garagem da foto anterior, ele aparece e fica imitando meus movimentos. Até o Jong Sao ele faz bem legalzinho...rsrs

Futuramente quando ele estiver maiorzinho, de melhor entendimento e caso tenha interesse,terá a oportunidade de aprender o Applied Wing Chun comigo. Assim,poderemos passar-lhe alguma coisa de real valor pra sua vida e dentre outras coisas, dar continuidade á transmissão da arte e a nossa pequena tradição familiar.

Em breve,postagem especial sobre meu treinamento intensivo visando meu retorno á Salvador.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Blog do Dido fala sobre sua primeira impressão do filme "The grandmasters"







Durante a semana passada, o blog do Dido teve acesso á versão completa com áudio em chinês do filme ''The Grandmasters'', aclamada franquia do diretor Wong Kai-Wai,estrelada pelo ator Tony Leung interpretando o patriarca Yip Man e que contou com a assessoria de siitaigung Duncan Leung para sua preparação e treinamento.



O filme que ainda tem seu lançamento por essas paragens sem data definida,é bastante aguardado pelos pratciantes de wing chun - especialmente os de minha família kung fu - pois esperam que esse filme traga sequências de ação mais 'realistas' em relação aos títulos anteriores estrelados pelo ator Donnie Yen ( que interpretou soberbamente o patriarca Yip Man). Bem, neste ponto,podemos dizer que 'The grandmasters' não decepciona. Como assistimos a versão com áudio em chinês,áudio original, em pouco podemos discorrer sobre a trama,que numa primeira impressão parece bem intrínseca,mas em contrapartida,podemos avaliar o filme sobre outro prisma, analisando outros aspectos.
''The grandmasters'' apresenta uma fotografia bastante sombria,com muitos ambientes escuros, dando á película um ar contemplativo e melancólico,contrastando com as cenas de ação. As passagens em câmera lenta e cheia de efeitos visuais dão ao filme um grande diferencial introspectivo.
A sequência de abertura,que é a luta de Yip man contra vários oponentes na chuva,e que dentre os oponentes surge o personagem do lutador profissional de MMA Cung Le é empolgante e a fotografia remete á filmes como Sin City e mais imediatamente próximo á trilogia Matrix,mais especificamente ao combate de Neo contra os inúmeros agentes Smith.





 Aliás, em todas as cenas de combate do personagem Yip Man, fica bastante evidente a movimentação - mesmo que de forma adaptada ás telas - da escola de siitaigng Duncan leung. O já citado ator tony Leung teve treinamento prévio diretamente com Siitaigung Duncan e teve como dublê o mestre Henry Araneda, da Austrália e que também treinou sob a orientação de Sigung Li Hon Ki, como mostra o Making Off abaixo.




Uma outra cena interessantíssima é a luta de Yip man com a personagem da atriz Zang Ziyi,que representa o estilo Bá Gua. Em dado momento, ela assume a postura em Bong Sao e depois em Jong Sao,enquanto Yip man assume a postura de guarda do Bá gua e ambos passam a lutar com o estilo de seu adversário.




Em 'The grandmasters' também é possível ver o filho de Siitaigung Duncan, Darren leung,interpretando um dos alunos de Yip Man, liderando uma classe e executando Siu Nim Tao.

''The grandmasters'' é um filme que não tem a intenção de soar ''biográfico'', mas diverte e entretém á medida em que serve para mostrar as diferenças técnicas entre os estilos de kung fu chinês á luz de sua tradicional visão.Quem procurar ou tiver o intuito de achar em ''The grandmasters'' um filme sobre a vida de Yip man com certeza se decepcionará, embora garanta bons momentos.



quarta-feira, 6 de março de 2013

Depoimento de Fernando Lempê sobre seu início e treinamento formal com Sifu


Durante o mês de Janeiro deste ano, esteve em Salvador para dar início ao seu treinamento com Sifu Marcos Abreu, o jovem Fernando Lempê. Figurinha conhecida dos debates nos fóruns de wing chun nacional, Fernando Lempê saiu do bairro de Vieralves em Manaus, para Salvador, Bahia enfrentar praticamente o mês todo de treinamento no wing chun de nossa família, tornando-se assim, o primeiro aluno de Sifu no estado de Manaus e por conseguinte,tornando-se meu Si Dai - irmão kung fu mais novo.

Acompanhem o relato sincero do Fernando Lempê e sua própria visão do treinamento do wing chun sob a supervisão de Sifu Marcos.


" - Este é um relato sobre minha viagem para treinamento de Wing chun Kung Fu com o Sifu Marcos Abreu.  (06/01 – 20/01)
Estava bem ansioso pelo que iria aprender, se me sairia bem... Preparei todo meu aparato uns dias antes da viagem, li bastante e me esforcei para ficar calmo.

                                             Dentro do avião, Manaus – Brasília,Ansioso!

Após quase 7 horas de viagem (passagem comprada com milhas...) finalmente chego a Salvador. Como se não bastasse, havia 3 esteiras de malas e eu não sabia em qual delas viria... Depois de quase 20 minutos consegui encontrar a infeliz.

Liguei para sifu dizendo que já estava no aeroporto e ele disse que estava a caminho, fui para o lado de fora tentando mais uma vez controlar a ansiedade.
Depois de 15 minutos, avistei o carro, coloquei a mala no banco de trás e para minha surpresa sifu manda um:
- Eae Lempê, tudo tranquilo?!
 Apertando minha mão, no som do carro tocava Black Sabbath. Nesse momento pensei “O cara ouve Black Sabbath e apertou minha mão”, toda aquela imagem chinesa estereotipada de mestre intocável foi por água abaixo. Vi ali um cara simples, de carne e osso, bem diferente do que eu achava e fiquei feliz por saber que nos daríamos muito bem.
Saindo do aeroporto, fizemos um mini tour por alguns locais de Salvador e conversamos sobre as diferenças entre as cidades, sobre nós mesmos e também sobre Wing Chun como não poderia deixar de ser. Chegamos em casa já meio tarde e conheci a Hanna, uma labradora preta. Logo que ela me viu parou de latir e já recebeu meu afeto.




                                                                 Hanna, a labradora.

Nos preparamos para dormir, fui acomodado nos meus aposentos, tomei um banho e fui dormir ansioso pelo primeiro dia de treinamento.
Não tive uma boa noite de sono,  acordei varias vezes e após bastante tempo sem dormir fora de casa é normal que eu estranhe...
Bem cedo, sifu já me acordou, tomamos um café reforçado e saímos para o aquecimento. O treinamento tinha sido iniciado oficialmente.
Após me mostrar alguns exercícios específicos para a pratica de Wing Chun, partimos para a corrida. Seria meu primeiro teste, sifu queria saber se eu era um “nerd” ou se tinha o mínimo de resistência, corremos por algum tempo  pela orla de Salvador com essa vista por todo o percurso.
Motivante!




Após corrida e hidratação com água de côco chegou a hora de treinar efetivamente. Sifu pediu que eu colocasse minhas luvas de boxe, colocou as dele e me disse:













- ""Quero ver se consegue aplicar algo do que já treinou até hoje!""
E tocou minhas luvas me cumprimentando:
-" Boa sorte!"

Engoli seco e sabia que a parada seria dura... Por mais que eu tentasse atacar, meus golpes sempre ficavam na defesa de sifu, os movimentos dele eram simples mas sempre no momento certo, quebrando meu ritmo o tempo todo. Até o momento eu estava no ataque e aí as coisas se inverteram, passei a ficar na defensiva e ainda sim levei um soco de meia força no rosto que até agora não sei de onde veio.
Sifu encerrou por ali e me disse:

-'' Eu já esperava que fosse assim mas você precisava deste choque de realidade.''

A partir daí começamos com a parte teórica do wing chun, geração de energia, linha central, etc...
Fiquei bastante surpreso com quantidade de coisas que simplesmente ignorava e a partir daquele momento passaram a fazer muito sentido.  A academia de  sifu  (mogun) é um local humilde porém com a estrutura necessária para realizar bons treinamentos, em resumo poderia dizer tem o que precisa de forma funcional e sem muito luxo.






                                                            Respeito, gratidão e tradição :
Duncan Leung                                                   Yip man                                              Li Hon Ki




                                                Em guarda, sempre equipado para os treinos


 Após o primeiro dia de treino, fui dormir satisfeito, ansioso e feliz pelo que estava aprendendo. Sifu, mesmo notando minha dificuldade em me desvencilhar do meu antigo modo de lutar foi bastante paciente e compreensivo. Nesses momentos sempre me vinha a cabeça meu sihing Dido e sua bem conhecida historia da filosofia marcial chinesa “Esvazie sua xícara man”. Isso realmente me ajudou bastante e me colocou no caminho certo.




O treinamento prosseguia e eu em meio a dificuldade natural, aprendia no meu ritmo. Cada vez mais feliz por estar ali e lembrando do meu esforço para estar. Um fator motivante é a técnica de sifu, sempre buscando executar da melhor forma possível, exemplificando.  Cansado ou não, o movimento na técnica era fiel a forma. Realmente surpreendente  e nota-se que entende do que faz.
 Entre intervalos de treino, quando possível tirávamos um tempo para relaxar de diversas maneiras e como não podia deixar de ser um bom banho de mar se fazia bem revigorante.

















Banho de mar

Neste mesmo dia da praia aconteceram alguns fatos que tornariam minha escolha de sifu Marcos como meu mestre ainda mais acertada. Estávamos voltando pela calçada e falando sobre o almoço de logo mais, de repente vejo sifu correr em disparada em direção a avenida e ajudar um jovem que empurrava seu carro com dificuldade, no mesmo instante corri para ajudar também. Sifu ainda parou uma via para que o jovem conseguisse atravessar o carro.

Percebi que ser sifu não é apenas ter concluído o sistema, um sifu deve mostrar o verdadeiro caminho marcial, caridade, humildade, bondade e acima de tudo honestidade.
Os treinos seguiam intensamente pela manhã, tarde e noite, eu estava bastante satisfeito com a lógica da arte, tanto na teoria quanto na prática. A geração de força é simples e coerente, as técnicas se encaixam e combinam levando a movimentos precisos. Em mais um dia de lazer, conheci a esposa de sifu e sua filha mais nova e visitamos um shopping de Salvador.
Sifu Marcos me lembra Bruce Lee em alguns aspectos, tem verdadeira obsessão por treinar e são raros os momentos em que não está falando em Wing Chun seja direta ou indiretamente. Em certos momentos ele parece ser uma pessoa com dupla personalidade, dentro do mogun na hora da aula, é uma pessoa séria, rígida e bem focada, enquanto que fora dela é brincalhão e extrovertido.   O passeio pelo shopping foi de grande aprendizado para mim, enquanto a esposa olhava as lojas e fazia as compras, conversávamos sobre vários assuntos relativos ao treino e Wing Chun em geral.


Certo momento quando esperávamos o elevador para descer com o carrinho de bebe, sifu explanou um pouco sobre chutes inclusive demonstrando os movimentos, pé pra lá e pra cá. Foi uma situação engraçada pois fiquei imaginando o que as pessoas que passavam por nós deviam estar pensando.
 “Esses caras são doidos?!”

Foram vários momentos deste tipo onde até fora do mogun eu estava vivendo um pouco da arte.
Houve um momento em que eu estava com uma grande dificuldade em pegar algumas movimentações e técnicas, técnicas essas que eram base para prosseguir no treinamento, mesmo me esforçando as vezes não saia da forma que sifu esperava. Fiquei bem chateado comigo mesmo por ver meu esforço não gerar evolução e confesso que pensei em desistir... estava triste e frustrado. A noite, depois do fim do treinamento tivemos uma boa conversa e foi uma  injeção de ânimo para mim. Ouvi o que precisava ouvir e foi o suficiente para que eu novamente focasse em me superar e aprender. Novamente lembrei do meu sihing Dido e contei com a ajuda dos outros alunos de sifu.
No final de mais um treino da manhã sifu me levou a um restaurante chinês muito agradável pois sempre tive vontade de saborear uma comida realmente chinesa, diferente dos industrializados que conhecia. Almoçamos muito bem e saí satisfeito por ter feito esta refeição.





Almoço no “Algo Bom”


















 Sifu pega uma mosca no seu momento mestre “Miagui”

Não acreditou mesmo que ele pegou uma mosca com o Hashi?! Acho que era uma vagem ou algo parecido.


Meu momento de incorporar alguém foi em relação ao mogun e a limpeza, todos os dias eu limpava por minha conta todo o local de treino para não perder tempo fazendo isso pela manhã. Me senti  literalmente como o Wong Shun Leung.



Quando fazia a limpeza, ainda recebia a visita ilustre de Hanna





Nesta altura eu já estava familiarizado com as técnicas básicas e comecei a participar melhor dos treinos junto com os alunos mais antigos de sifu, eu executava minhas técnicas e os ajudava a executar as deles, tentando fazer meus ataques com realismo e força. Neste momento é fácil perceber o quanto se faz necessário o uso de proteção para treinar o wing chun de Duncan Leung... Quanto mais forte eu batia, mais me machucava e era obrigado a reduzir a potencia dos golpes. Ao final de alguns dias, sentia dores nos tendões, resultado do impacto contra as defesas firmes dos outros alunos. Treinar forte é cansativo e doloroso mas quem disse que seria fácil?



                                     Ajudando os companheiros de treino a se equiparem

Dentre outros momentos em que pude aprender mais com sifu, mais um merece destaque. Estávamos fazendo nosso aquecimento e praticando alguns exercícios numa pequena praça quando um taxi para próximo a nós e saindo do um hotel aparecem 2 moças, notavelmente gringas. Elas começam então a tentar se comunicar com o taxista que não as entendia muito bem. Perguntavam sobre algum lugar e ele não sabia como levá-las ate lá. Sifu de repente já atravessa a rua falando inglês  e começa a se apresentar paras as moças. Ele pergunta se pode ajudar em algo, sabendo que também não conhecia o local em questão, sifu deu um pique de uns 300 metros e saiu perguntando as pessoas que passavam até conseguir a informação com alguns taxistas de passagem. Ele volta novamente correndo e explica ao taxista onde é o local.
Pensei comigo, sifu ajudou as gringas (não eram bonitas) simplesmente pelo fato de ser útil. É algo que tento continuar fazendo na minha vida, ajudar sem olhar quem.
No fim destes dias de treinamento já tenho uma visão geral do primeiro nível, Sil Lin Tao, básico de movimentação, algumas técnicas e entendo como gerar força estruturalmente.
Meu treinamento chega ao fim e neste momento estou pronto para começar...  praticar exaustivamente até que as reações técnicas sejam parte de mim e do meu reflexo natural.
Como disse sifu, de nada valem todos aqueles movimentos, treinados e repetidos, se não conseguir aplicá-los em combate livre, é um conhecimento preso  e inútil. Fechamos o treinamento com um yakisoba feito por nós com ajuda do irmão de sifu. Segundo ele ficou bem parecido com o que viu na china em 2009.




Yakisoba de encerramento

Encerro aqui esse depoimento, espero ter me expressado bem e passado uma boa idéia do treinamento que fiz em Salvador.

Aproveito para formalizar que Marcos Abreu  é meu sifu e agradeço por cada minuto de atenção e treinamento dedicado. ''
Contato na internet:


http://appliedwingchunsalvador.blogspot.com.br/


Fernando Lempê desde o começo de seu treinamento me surpreendeu pela sua garra e motivação. Realmente,poucas pessoas tem culhões o suficiente para saírem de sua zona de conforto e sair de tão longe em busca de um conhecimento ancestral com um autêntico mestre como é sifu. Como seu irmão mais velho, mesmo estando em outro estado, fiz o máximo que pude para auxiliá-lo em seu treinamento (como a postagem sobre 3 ataques), e deixo aqui público minha admiração por sua pessoa. È um cara realmente especial.

Até mais.
Dido.