terça-feira, 31 de maio de 2011

Desvendando Biu Jee




Biu Jee é a terceira forma de mão vazia do sistema Ving Tsun. Normalmente,é ensinada antes de dar passo á 4º fase do treinamento ,denominada Moy Fa Jong .
A tradução desta forma é "dedos voadores" (ou penetrantes,dependendo da versão),mas Biu Jee também recebe o "apelido" de Gow gup Sao",cuja a tradução é "mãos de emergência",por conta do caráter da aplicação da     forma em sí.


Se observarmos, Siu Nin Tao  , Chum Kiu e Biu Jee, são três maneiras diferentes de pensar dentro de um mesmo sistema. A interpretação é que Siu nin tao te prepara para uma luta "honesta", frente á um adversário,com as técnicas básicas e princípios fundamentais.
Em Chum Kiu,o praticante tem que adaptar-se aos movimentos e ataques do oponente,que permanece em contato,assim,deve-se executar vários giros e técnicas combinadas de mãos e pés em diferentes ângulos e posições.


Já em Biu Jee, nós nos deparamos para uma situação onde tudo que havíamos aprendido não havia funcionado e nos encontramos em uma situação de plena desvantagem,seja física,quanto de posicionamento, o que nos obriga a "romper" com alguns dos princípios fundamentais das outras técnicas.









Algumas técnicas que aparecem em Biu Jee tem um caráter exclusivo para uma situação de emergência,daí o apelido que a forma recebe. A diferença pro Siu Nin Tao,onde as técnicas são como verbos que podem ser conjugados em diferentes situações,em Biu Jee, algumas técnicas são unicamente aplicáveis em uma situação em concreto,ou de caráter limitado e/ou específico.
Mas também devemos saber que algumas das técnicas que aparecem,como por exemplo os golpes com cotovelos descendentes,tem uma aplicação real bem comprovada e de grande contundência. Por conseguinte nos deparamos com uma forma de técnicas avançadas e singulares que nos proporciona uma visão totalmente diferente e muito real do sistema.
No que se refere ao ensinamento, antigamente havia um ditado que dizia ; "Biu Jee não deve ultrapassar a soleira da porta",este famoso ditado,que tem dado margem á diferentes interpretações,também pode ser entendido como "o Biu Jee não deve ser ensinado á indivíduos que não da familia wing chun" e que sua transmissão seja exclusiva de alunos que já alcançaram um bom nível e que já sejam "avançados". De qualquer forma, Biu Jee tem recebido um caráter e tratamento honorífico desde os tempos antigos até hoje.




Pequena Análise Técnica




Huen Bo  ; è um passo circular que nos permite reposicionar a base "dentro" ou "fora" da posição de base do oponente.Também pode ser usado como  técnica de varredura,levando-o ao solo.


Biu Sao ; Este golpe visa os olhos do oponente.


kwai jian: São golpes com cotovelos descendentes aplicados quando estamos próximos do oponente e este está em uma ligeira inclinação do tronco com uma colocação lateral do rosto.


Biu Jee : (saindo da axila); Este movimento permite gerar um controle do braço do oponente.Partindo desde um movimento desde baixo do braço seu braço.Porém é importante saber como e quando aplicá-lo,pois pode ser facilmente revertido.


Quan Sao ; Movimento combinado de Gaun Sao Alto e Baixo.È bem eficaz para atacar a clavícula do oponente enquanto cobre-se o abdômem...há um ditado que diz ; "O Quan Sao cobre a abertura do Bong Sao".


Man sao ; Esta técnica visa provocar a nossa entrada adiante de um oponente e também golpeá-lo com um movimento ascendente saindo de uma linha baixa


Huen Sao ; Este é um exercício importante dentro do sistema ving tsun.Entre outras coisas, este giro se aplica para desviar a linha de ataque,abrindo brechas para uma contra-ofensiva.È bastante aplicada em Chi Sao, por sua simplicidade e eficiência.


Seung Lap Sao ; è um agarre do braço do oponente,desequilibrando-o e o usando como escudo contra outros oponentes.


Punho gancho; è um soco e gancho dirigido ás costelas frontais do oponente.Devemos controlar nosso cotovelo,para que a energia do golpe não se dissipe.


Abaixo,segue um bom video do sifu Moy Yat realizando o Biu Jee.













segunda-feira, 23 de maio de 2011

"Entrevistas" : Sifu Peterson Menezes

È com imensa honra,que estaremos iniciando uma sessão de posts especiais intitulados "entrevistas",cuja a intenção é dar espaço aos mais recomendados mestres de Wing CHun no país mostrarem seus pontos de vista,bem como compartilhar seus conhecimentos com os leitores, independentemente de linhagens e ramificações,abrindo pontos de discussões sobre os mais variados aspectos do nosso estilo, o Ving Tsun.







E o Nosso primeiro entrevistado é o Sifu Peterson Menezes (Wong Pen Tien),representante da familia Fat Cheong de Wing Chun,cuja a escola está situada na cidade de Itu, em São Paulo.Sifu Peterson fala sobre seu inicio nas artes marciais e da prática do wing chun em nosso país e dos paradigmas envolvendo a pratica na atualidade frente ás tradições ancestrais.Mestre Peterson Menezes, Fundador do Centro de Cultura Oriental , localizado no Bairro Brasil, estuda Artes marciais desde 85, versado em chinês (dialeto catonês) escrito e falado, se formou mestre do estilo de Kung Fu Wing Chun, no qual hoje é um dos mestres mais Conhecidos do País! E o mais requisitado por TVs de todo Brasil para demonstrar sua habilidade e conhecimento no estilo.

Acompanhem agora sem mais delongas,o bate-papo que o Blog do Dido teve por e-mail com o sifu Peterson Menezes...



Blog Do Dido: Gostaria que o sr. começasse nos contando como foi seu início na pratica do ving tsun...como e porque o sr. escolheu este estilo de arte marcial...

Sifu Peterson: Bem, comecei em silat, um estilo tradicional da indonesia, meu mestre sabia também wing chun da malásia, que é muito diferente de yip man wing chun, fiquei um tempo sem mestre depois de meus 17, aos 18 comecei meu curso de acupuntura, e conheci um representante de wing chun yip man que por motivos politicos não posso citar o nome, este me enrrolou um tempo, foi uma base, mas um wing chun bem grosseiro, e sem cultura, apenas baseado em força, depois de  2, 3 anos, insistindo com o pai de um amigo chines meu, ele me aceitou como "kwan mun tai chi" ou discipulo de portas fechadas, algo raro, ainda mais pra um ocidental, com mestre Wong, tive a sorte de aprender como aplicar de fato além de alavanca, energia, em treinos tradicionais {hoje, kung fu virou educação fisica no sentido de exercicicos.. estes são flexões etc..nada tem a  ver como eram ensinados antigamente...todo estilo de kung fu tinha chi kung ,o que era natural}kwen kwits que são a alma cultural do wing chun, e o mais importante, cham budismo relacionado ao wing chun, que é algo relevante para vida. Este wing chun sim, me impressionou devido a profundidade e relevancia para melhorar a vida.


Blog do Dido: Quais são as caracteisticas e os aspectos inerentes  que o sr. considera mais importantes durante o aprendizado do ving tsun?

Sifu Peterson: Cultura, filosofia, wing chun inteligente sem uso de força bruta{se não, se torna um kick box, que nao é ruim, apenas nao é o meio mais estrategico e inteligente de lutar,e isso claro que vai do praticante}... hoje a mensagem tem que ser relevante se não se torna algo sem proposito real, raramente lutamos, a meu ver procurar luta, encrenca ou campeonatos é algo desnecessário e pouco útil pra vida,  já cultura sim... é o diferencial para vida é o que diferencia uma pessoa da outra, conhecimento e insigth deste.


Blog do Dido: Na china, a escolha de um aluno é tão importante quanto a aceitação de um aluno pelo sifu. Dentro de um contexto atual e ocidentalizado,por assim dizer,quais são os critérios para que uma pessoa possa se iniciar na pratica do ving tsun?

Sifu Peterson: Hoje as coisas estão muito comerciais, entendo que isso faz parte do mundo globalizado que se vive, porem aceitar alunos é algo delicado, formar um "instrutor" em cursos de final de semana, por DVD etc, isso é prova desta comercializaçao e perda total de tradiçao, ja que nao se conhece uma pessoa em pouco tempo, menos ainda para a pessoa corregar o nome de sua familia kung fu, em nossa familia aceito praticamente todos, desde que haja respeito mas, intrutor so acima de bill jee e este so com pai si{discipulado} se eu estivesse no wing chun por dinheiro eu seguiria o ramo de meus pais, estou neste por que amo a tradiçao e quero melhorar a vida das pessoas que me procuram com este conhecimento que recebi.

Blog do Dido: Com tantos estilos de luta disponíveis e e fácil acesso ao público,quais são os motivos existentes para que as pessoas ainda busquem a prática do ving tsun?

Sifu Peterson: Iniciamente  muitas pessoas procuram pela aplicabilidade em combate, porque  o wing chun tem esta proposta de ser letal e logico, porem esta  busca se deve em parte pelo ego e vaidade das pessoas por querer subjulgar outras em combate, o que este"combate" hj em dia é raro, se alguem quer vencer alguem , usa uma arma de fogo por exemplo, mundo real é mais cruel e pouco  belo como nos filmes que, infelizmente foram a fonte dessa ideia romanceada e egocentrica de vencer lutas. Porém por outro lado é justamente essa idéia que traz as pessoas para um caminho que, com o tempo as transforma e em escolas como a fât Cheong, onde ha cultura  inerente ao wing chun, ensinar a aplicar a sua realidade e de fato melhorar suas vidas. Sim wing chun tem que ser aplicável a combate real, mas não, hoje este não é o foco, já que raramente uma pessoa de bem se envolve em brigas {reagir a assalto! nem pensar é suicídio!} pode até salvar nossa vida ou de nossos semelhantes, por isso tem que ser aplicável, mas não pode ser só luta ou estaremos perdendo um tempo precioso que é da vida, com algo que quase nunca usamos, já  algo que nos traz cultura e insight sim... nos traz beneficios praticos para vida.

Blog do Dido: A sabedoria ancestral por muito tempo foi transmitida de geração em geração de forma oral,gerando ate certa controvérsia entre as familias e ramificações do ving tsun,principalmente no que diz respeito á história do estilo,por falta de provas documentais referente ao ving tsun.Atualmente,as pessoas hoje podem até mesmo aprender as formas através dos videos e livros.Dentro deste paradoxo,qual a importância da relação sifu/to dai?Quais pontos o sr. considera cruciais para um real aprendizado do ving tsun?

Sifu Peterson: Hoje, com a proliferação de escolas de wing chun, em sua grande maioria de linha Yip man, que fez sucesso graças a bruce lee, traz o engano que esta linha é a unica ou mais correta, sendo que é so uma ramificação do  antigo wing chun, o qual hoje há provas relativamente coerentes e concretas que provam não ter havido monja budista ng mui ou yin wing chun e sim, todo um esquema para esconder e destronar a dinastia ching, exatamente por estar escondido, carece de provas para o ocidental medio entender, sendo que não há referencias em sites na internet, de estilos ou linhas mais completas para o proposito anti-ching.
sim é valido aprender como suplemento, por cursos rapidos, livros dvd ou internet, mas a relaçao sifu discipulo é essencial ja que o proprio kwen kwit diz:"hao chuen san sao" ; "passado oralmente e recebido pelo corpo", as pessoas hoje estão muito individualistas, e isto traz um isolamento do ego e as pessoas não querem mais ter fidelidade a um sifu ou sistema, pensam: paguei é meu..faço o que quero!
este é um pensamento egosita, que jamais vai fazer alguem se aprofundar em um sistema complexo como wing chun.




                                         (Frente da Escola do sifu Peterson Menezes,em Itu - SP)



Blog do Dido: Como se deu o interesse do sr. pela fabricação de armas chinesas,sendo que muitas delas,não constam no estilo o qual o sr. é mestre?

Sifu Peterson: Sou formado no wing chun, comecei por fabricar espadas do wing chun porque nao tinha nada, nem importado, de qualidade.
Outras armas pessoas me pediram....algumas são do baguazhang o qual estudo há quase uma decada. Gosto muito de escultura, mecher com madeira ou metal, por isso resolvi fabricar.

Blog do Dido: Como o sr. vê a questão da popularização do kung fu em termos gerais em nosso país?

Sifu Peterson: Kung fu é popular hà decadas, hoje em parte este perdeu parte da popularidade para o vale tudo e derivados...cada estilo é um estilo...
kung fu é de origem de todos os asiaticos direta ou indiretamente, quem procura cultura ou quem é alienado por filmes  acaba procurando kung fu... ao meu ver são 
estes públicos.

Blog do Dido: Gostaria de agradecer imensamente á atenção dispensada e gostaria que o sr. deixasse seus contatos e o endereço de sua escola,bem como suas considerações finais
para os nossos leitores...

Sifu Peterson: Eu quem agradeço, você é uma pessoa que busca raízes e não se deixa levar por uma só linhagem , devemos por na balança, todas a meu ver contém um pouco do original.
Meu site é www.culturachinesa.net temos diversas entrevistas para o pessoal conhecer o wing chun fat cheong.




Ving Tsun On Mtv....(?????)

Segue um videozinho com uma entrevista á MTV brasil com o Sifu Tomaz Pinheiro...bem bacaninha pra quem é leigo no assunto,poder ter uma noção do que se trata o Ving Tsun...




terça-feira, 17 de maio de 2011

Entrevista Duncan Leung


Devido á minha falta de tempo,pra postar sobre assuntos mais técnicos,vou reproduzir aqui uma entrevista postada pelo sifu MArcos de Abreu em seu blog (recomendo hein galera!!) http://appliedwingchunsalvador.blogspot.com com o Sifu Duncan Leung. Aproveitando pra dizer que vamos estrear em breve, uma sessão de posts novos entituladas "Entrevistas", com os principais sifus de Wing Chun do país, esperamos que gostem... 


Entrevista Duncan Leung

DESARQUIVANDO DUNCAN LEUNG
O CONTRADITÓRIO “GÊNIO NEGRO” DO WING CHUM FALA SOBRE YIP MAN, BRUCE LEE E O QUE HÁ DE ERRADO COM SUA ARTE.
“Eu me lembro muito bem das duas primeiras vezes que briguei com alguém armado de faca. Ao invés de fugir como antes, eu lhe mostrei uma faca”.
“Eu pude sentir meu corpo inteiro congelar. Meus braços e pernas de repente se sentiram tão fracos que se meu oponente se contraísse, meu coração tentaria pular fora do peito”.
“Eu fico pensando: ‘Será que a lâmina é muito amolada?’... ‘Como seria se eu me cortasse? Minha boca estava bem seca. Eu pude ver que os olhos dele também estavam cheios de medo...’”.
Tirado da introdução do Manual de Luta com Faca de Duncan Leung de acesso apenas a soldados e policiais.
Duncan está sério. Ele não sorri, ele não está brincando.
Hoje em dia ele é um esbelto fumante de 52 anos, de pouco cabelo e bigodes grisalhos. Não é velho, não é novo, mesmo assim ainda está comandando.
Parte disso deve-se a sua voz profunda – parece a de Yul Brynner – e outra parte do seu olhar.
Quando ele te olha, você sente que Sifu Leung está tomando suas medidas... Contra gigantes.
FLASHBACK – Hong Kong, 1956, Duncan Sil Hung Leung, aos 15 anos, está lá fora correndo na sacada.
Bruce Lee aparece e grita: “Tenho algo novo para te mostrar”.
Duncan gosta de Bruce. Sua prima, que é atriz de filmes, os apresentou. Esses dois caras têm um interesse em comum: vencer brigas de rua.
Então os dois se juntam na sacada para testar a novidade. Duncan não está muito preocupado; está acostumado com as coisas de Bruce. Eles começam a fazer sparring.
QUARTO DE RESPIRAÇÃO
Duncan Leung conta a história com seu vozeirão, 40 anos mais tarde.
“Depois de um tempo eu disse, ‘Ainda não tem espaço suficiente’.
Aí fomos para a colina. Espaço não faltava lá, mas...
‘Onde você aprendeu isso?’ Perguntei pra ele – a técnica era “caça punhos”. Ele me disse que tinha um professor novo e que ele gostaria que eu conhecesse.
O nome do Sifu era Yip Man”.
Uma pausa cheia de respeito e curiosidade interrompe a conversa.
Que privilégio ter sido ensinado pelo pai do Wing Chun moderno! Lembra como Sifu Man foi retratado em Dragon? Como um velho Santo de olhos brilhantes, como Ghandi no corpo de George Burns interpretando Deus.
Hoje Duncan é diretor de administração de uma companhia de importação – exportação com escritórios em Virgínia Beach e Hong Kong. Previamente ele desfrutou de sucesso em caças diversas como a filmes de Hong Kong (onde ele produziu 24 longas-metragens) a armas de fogo (de uma só vez ele foi o décimo quinto maior importador dos EUA). E quando ele viajava internacionalmente para ensinar Wing Chun era o mais bem pago do circuito.
O amigo de Bruce Lee ainda é o mais intensamente provado e menos publicado de outros grandes no renascimento de meio século das artes marciais de Hong Kong. Lidar com ele talvez leve a vê-lo como um anti – Bruce: ‘gênio negro’ do renascimento dourado do Wing Chum.
REVOLUCIONÁRIO
Duncan Leung não é um gênio somente por ter trocado golpes com lendas. Ou porque desde a sua adolescência ele nunca perdeu uma briga (e briga de rua é sua maior paixão – “diariamente. Durante anos. É divertido”). No entanto, Duncan fez o que os gênios fazem – revolucionou.
Duncan Leung alterou radicalmente a natureza da defesa pessoal por toda uma geração de praticantes, nos bastidores, como Bruce Lee fez publicamente. Como? Durante vinte anos ele ajudou a redefinir combates para mulheres e homens americanos de uniforme, aqueles parecidíssimos com a luta mortal: nossas forças armadas e autoridades legais.
Mais do que apenas um artista marcial profissional, Leung é um profissional de profissionais. Ele não treina alunos, mas os instrutores, que são mais difíceis de impressionar.
Duncan já foi tutor das tropas de choque mais fortes do planeta, Navy SEALS. Atrás de sua carteira tem placas do Team Two e do Team Four: “Pelas lições bem ensinadas”. Ter treinado SEALS é um certificado de conhecimento avançado – já que pode impressionar SEALS...
Vamos ouvir David K. Paaina, instrutor chefe Hand to Hand do SEAL Team Two:
“Suas maneiras afáveis, a intensidade com a qual ele ensina e a maneira com a qual ele conduz os negócios me levam apenas a concluir uma coisa; que ele é o melhor profissional que eu já vi.
Qualquer que sejam seus esforços, eu apoio Duncan de todo.
De mim e de meus colegas de time partem agradecimentos e gratidão de coração”.
Da Marinha, do Exército, do FBI, da Polícia da Virgínia, Duncan Leung tem mais cartas de tributo do que ele pode emoldurar, tem mais placas do que paredes para colocá-las. Só tem um pequeno espaço para o Colt 45, gravado, presenteado pelo FBI.
VINDO DAS SOMBRAS
Aqui está um homem extraordinário, aparentemente no auge dos seus poderes. Ainda que recentemente isso tenha ido adiante, fora das suas da sacola preta de operações e informações classificadas para dar consultoria, Duncan Leung diz que sua missão está cumprida: “estou cansado e de saco cheio de qualquer arte marcial”.
Duncan olha para baixo para jogar o cigarro fora. É difícil não dar uma olhada na sua cicatriz de novo. Parte de sua ‘geniosidade negra’ deve-se às suas cicatrizes.
FLASHBACK – Cantão, China, 1942. Duncan nasceu numa família de boas condições. Seu pai era dono de jornais. Vários anos mais tarde eles se mudaram para Macao, quando aconteceu uma tragédia: Duncan testemunhou o assassinato do próprio pai. Está é a cicatriz interna.
Aos sete anos, um trabalho dentário fica infeccionado e leva à cirurgia que, infelizmente, também é mal feita. Resultado: sua mandíbula carrega uma cicatriz profunda, na frente de sua orelha direita. Está é a cicatriz externa.
Então o destino entra em cena, como não poderia deixar de ser: os médicos sugerem artes marciais como terapia pós-operatória. Foi assim, portanto, que tudo começou, para trazer sua cura.
“No começo eu não queria aprender a lutar. Mas depois que eu aprendi artes marciais, fiquei interessado em - eu era um menino mau, de qualquer forma – em machucar pessoas. Eu pensei: ‘É um jogo, é bom, é divertido.’. E comecei a gostar da idéia”.
“Aí você iria lutar com Bruce”.
“Não tanto quanto os jornais dizem... Bruce Lee era bom. Ele era bom quando treinávamos junto com Old Man, e mais tarde (quando voltou de Hong Kong) era melhor ainda. Significava muito para mim o fato do Bruce Lee ter mantido contato comigo”.
ANOS DE EXPERIÊNCIA
A entrevista de Duncan se passou no espaço da escola de Wing Chun, que ele divide em noites alternadas com seu amigo Sifu Hoy Lee, o sênior americano de Jow Ga.
“Por que você está concedendo uma entrevista de artes marciais depois de tantos anos?”.
“Não é para me promover” Não estou mais ensinando. Mas... Eu me sinto na posição de contar minha experiência para as pessoas pelo inferno que passei adquirindo-a.
Sim, eu quero que as pessoas entendam – O que é arte marcial? A arte é – Eu posso te bater, mas você não me bate. E eu quero que saibam – qual a melhor arte marcial? É aquela que te traz confiança, que te convence e que combina com você. Quem é melhor professor? Não é o quanto o professor é bom, mas sim o quanto ele te faz bom.
Por último, o que é Wing Chun? Você domina o seu oponente não pela força ou pela velocidade, mas encurtando sua distância, quebrando seu ritmo – e avançando. Porque eu quero fazer com que você venha a mim.
E só há uma maneira de descobrir o que é útil ou não, se você aprendeu alguma coisa ou não. Tente. Justamente como Old Man nos ensinou: ‘ Quer saber o quanto você é bom? Arrisque, procure briga’. E se você foi bem treinado você não vê, você não enxerga. Apenas reage.”
E quanto mais ele fala de Yip Man, mais óbvio fica que Duncan o venera. Old Man odiava estrangeiros. “Ele cobrou $8, 00. Comecei a treinar com Bruce. Mas continuei observando o que os alunos mais velhos estavam fazendo. Depois fui até Old Man e disse: ‘Isso é tudo?’ É que eu não estava muito impressionado. ‘O que você espera por $8,00?’, ele me perguntou: tem $300 aí?”.
“DEFENDENDO A TIGELA DE ARROZ”
Duncan explica que se Sifu Man tivesse que expor os principais ensinamentos do Wing Chun para os alunos menos informais, em breve ele os veria abrindo escolas concorrentes na mesma rua. Old Man estava apenas “defendendo sua tigela de arroz”.
Então Duncan fez que sua mãe pagasse, durante anos, por aulas particulares. O resto é história. Ele seguiu adiante para se tornar um dos dois ou três melhores lutadores de Wing Chun de sua geração, nivelando-se a Willian Cheung, quem ele conhece e admira.
“E quanto à herança de Yip Man?”.
“O Old Man criou dois problemas... Hoje em dia você vê o Wing Chun, todos pensam que estão fazendo a coisa certa, no entanto 99% das escolas que você for, ensinam de jeitos diferentes. Por quê? Todas vêm de Old Man”.
“Bem, dizem que ele modificaria os ensinamentos de acordo com...”.
“Não. Wing Chun é muito abstrato. Ou você entende ou você não entende. Se não entender, pergunte assim, ‘Sifu, está certo assim, não é?’
Ele sempre disse; ‘sim, você é um gênio, você é o melhor’. Então, o que você pode pensar? ‘Ora, estou fazendo direito, ele (seu colega) está fazendo errado’. E é por isso que – mesmo estilo, ensinando do mesmo jeito – todos fazem diferente.
O segundo problema, ele não te ensinaria nada se não fosse pago suficientemente”.
“Qual foi a lição mais importante que ele te ensinou?”.
“Old Man disse: ‘não acredite em mim. Descubra por você mesmo se funciona ou não. Daí você sabe se fez certo ou errado; daí você tira se o que eu te ensinei é bom ou ruim’”.
“Ele te ensinou a procurar briga?”.
“Nos levou a elas, para falar a verdade”.
“Você não pode fazer isso com os alunos hoje em dia, ou pode?”.
“Não. Old Man disse também: ‘Quer fazer o melhor nas artes marciais? Você tem que: ser jovem quando quiser aprender. E tem que ser impulsivo. Jovem e impulsivo. E tem que ter tripas, ser capaz de suportar alguma dor. Tem que ser rico, para poder me pagar. E acima de tudo, não ter hábitos’”.
“Não ter maus hábitos”.
“Não, nada a ver com fumo ou bebida. Não ter hábitos – problemas familiares, garotas, seus problemas de infância, os problemas de seus pais”.
No mesmo ano em que Bruce Lee deixou Hong Kong, para ir para os EUA, Duncan se mudou para a Austrália. Eventualmente, ele se viu muito envolvido com importação-exportação DOW UNDER, o que significou bastantes viagens.
CONCLUINDO
Em 1970, durante uma viagem de negócios a Nova Iorque, Duncan recebeu uma oferta de trabalho que consistia em dar aulas particulares. Como houve divulgação boca a boca, e com isso Duncan se encheu de clientes, ele abriu sua primeira escola americana na 2 Greet Jones Street Chinatown, Nova Iorque. A América descobriu Duncan Leung.
Houve várias jogadas rancorosas associadas com seu pioneirismo em ensinar em escolas de livre acesso, nesses dias sempre houve sifus que se sentiriam chamados pela honra para desafiá-lo por ensinar “segredos” chineses a “estrangeiros diabólicos”.
No Koon (academia) da rua Great Jones, uma “disputa com o portão fechado”, passou a significar que os oponentes de Duncan não conseguiam sair antes de serem jogados pra fora.
“Como você espera que eu te demonstre o Wing Chun? O único caminho é: ‘Okay,Teste-me’”.
Um dos professores que testaram Duncan foi Ron Van Clief, visto recentemente lutando contra Royce Gracie no Ultimate Fighting Championship IV. Na tradição de seus estilos, Duncan e o Dragão Negro tornaram-se amigos. Eles ainda fizeram um poucos de show business e história das artes marciais juntos através da co-produção do primeiro kung fu na Broadway, uma revisão de astros chamada “Kung Fu - Uma mística excursão no mundo da defesa pessoal oriental”
“Todos estão fazendo Chi Sao demais” ele diz sobre o Wing Chun de hojePor quê?“Eles não tem ensinado para você nada além de Chi Sao. Wing Chun é famoso por causa do Chi Sao. Sim, isso é coisa mais importante – para um iniciante”.
“Mas quem luta com Chi Sao? Como se não há contato? Seu oponente não tem de estar em contato para lançar um chute ou um soco em você. Chi Sao é importante para aprender sensibilidade, mas o mais importante é aprender a se cobrir”.
“Veja, nós não bloqueamos. Nós cobrimos. Bloquear nunca funciona. Bloqueando, você tem de ver o que acontece, então você se protege. Cobrir é: antes de acontecer, você se cobre. Então eu sempre estou um passo à frente de você”.
“Na maioria dos estilos, eles batem uns nos outros. No Wing Chun, eu estou cobrindo e batendo ao mesmo tempo. Nós fazemos tudo simultaneamente. Resultado: Eu sou duas vezes mais rápido, e eu não sou atingido”. Pausa.
Nós interceptamos (chutes) usando chutes baixos de parar chutes. Você não pode me alcançar, eu vou parar a sua perna primeiro Se eu estou chutando suas pernas, eu tenho melhor alcance do que você, e é mais rápido (chutando baixo, em vez de chutar acima da cintura).”
“E há prática solo (sem parceiro) demais. Wing Chun precisa ser pré-definido através de repetição, dois a dois, não sozinho. E quando eles fizerem sparring, eles não devem ficar se espancando. Isso é estúpido. Aprenda como não ser atingido.”
Já passa da meia noite quando Duncan finaliza seu interrogatório. O próprio entrevistador está preto e azul de algumas das vigorosas “explanações”. Boas-noites são ditas, ele aperta as mãos com firmeza. Ele é pequeno e blasé, e ainda depois de alguma emoção ríspida, o que Duncan Leung inspira em outro homem, além de respeito é...Lealdade.
Na manhã seguinte seu amigo Hoy Lee tenta colocar uma boa expressão na conversa sobre a aposentadoria de Duncan. “Talvez ele irá apenas dar um tempo por ora...” Ele comenta, “você conhece artes marciais. Épocas boas, algumas ruins, mas isto está sempre em seu sangue.”
Bem que Bruce poderia parar mostrar a Duncan um novo movimento, você não acha?
Por Herb Borkland, que é um freqüente colaborador da revista “Inside Kung Fu”. A última vez que escreveu foi sobre o Sifu de Maryland, Hoy Lee, na matéria de agosto de 1995

terça-feira, 3 de maio de 2011

Especial mook yan jong




O Treinamento no Mook Jong tornou-se bastante conhecido. Você vê isso em filmes sobre Bruce Lee, no cinema feito por Jackie Chan e em muitos outros. Mesmo aqueles que estão fora do sistema Wing Chun sabem sobre o Mook Yan Jong. Muitas pessoas de outros estilos de Wing Chun,podem até mesmo comprá-los. O problema é que muitos artistas marciais, até mesmo alguns dentro do sistema de Wing Chun, não entendem o Mook Yan Jong. Por esta razão, eles não recebem benefícios a partir dele. O Mook Yan Jong é  incrível em sua simplicidade. O fato de este aparelho simples realizar tanto é um feito de engenharia incrível. De vez em quando, as pessoas vão adicionar uma perna ou alguns braços, molas e outros apitos e sinos em uma tentativa de inventar uma nova e melhorada peça de Mook Jong. Estas tentativas simplesmente indicam que a pessoa não entende o clássico Mook Jong (ou ele ou ela está olhando principalmente para um dispositivo de marketing para definir o seu produto). Embora algumas pessoas podem achar que é bom negócio implica que eles tenham alguma forma de descobrir algo que os outros não têm, pode ser confuso para novos alunos ao Mook Yan Jong. Aqueles que realmente entendem do Mook Jong perceber que ele não precisa de novos acessórios, baterias ou campainhas. 


Finalidade 


No Wing Chun, cada exercício de treino tem uma finalidade específica. As formas de ensinar a posição e movimento. O Mook Jong traduz os movimentos dentro das formas em "Aplicações Root". Isso não significa que há apenas 108 técnicas no Sistema Wing Chun. Significa simplesmente que os movimentos ensinados no Mook Yan Jong são as aplicações de raiz ou base a partir da qual todos os outros são derivados. Uma vez que estes são dominados, outros crescem fora deles com relativa facilidade. 


Dissipando EQUÍVOCOS  - Mook Yan Jong NÃO é um MAKAWARI 

Um dos maiores equívocos sobre a madeira Mook Jong é que é para endurecer os braços. Isso é pura bobagemUm dos princípios básicos em Wing Chun é "não usar  a força contra força"É lógico então supor que nós não devemos colidir os nossos braços com os braços do Mook Jong. O objetivo, de fato, é exatamente o oposto. O objetivo é contornar os braços e achar o caminho de menor resistência. Aqueles que apenas batem nos braços do Mook Yan Jong estão simplesmente exibindo uma falta de conhecimento, tanto do Mook Jong,quanto sobre os princípios fundamentais do sistema. Outro equívoco é que o Mook Jong é principalmente para melhorar a posição das mãos. Embora o Mook Jong tem um grande valor nesta área,mas tem igualmente importante valor no footwork, posicionamento e ângulo. Os alunos que treinam no Mook Yan Jong consciêntemente vão achar que o seu footwork tanto em Chi Sao,quanto em sparring terá melhora drástica.
Quando o footwork é feito corretamente as mãos parecem se encaixar com facilidade. Se o footwork é incorreto, os movimentos da mão se tornam difíceis ou impossíveis. 




 Sitaigung Yip Man no Mook Yan Jong 


3 Braços ????

 Embora o Mook Jong tenha três braços, os três braços não representam membros fixos.Todas as três armas podem, às vezes, representam um dos braços em diversas posições. A extremidade do braço (s) representam o cotovelo, e não a mão. A linha presumida de energia se estende para fora do cotovelo. É por isso que os braços são tão curtos. Assim, a perna representa o membro ativo inferior da perna em jogo naquele momento. Na verdade, seria um impedimento para o trabalho de pés e movimentos em torno do Mook Jong incluir uma segunda etapa. 

Movimentos 

Houve alguma divergência sobre quantos movimentos há na forma (Kuen to). Mais uma vez, em uma tentativa de criar um "marketing de vendas ', há aqueles que afirmam conhecer os movimentos extra. Classicamente, o número de movimentos aceito é de 108. Na verdade, este número tem mais a ver com numerologia chinesa do que com uma contagem precisa dos movimentos. 
Na numerologia chinesa, o número três (e seus múltiplos), bem como o número 108 tem significado espiritual. Por esta razão, você vai achar que os movimentos nas formas de Wing Chun e no Mook Yan Jong são organizadas para caber esses números principalmente pelo seu significado numérico e espiritual. Ela tem pouco a ver com o real número de movimentos. 


Mook Jong Construção - boneco de madeira 

As dimensões do Mook Jong não são esculpidos em pedraCada tronco do manequim era um pouco diferente. O fator crítico é nas dimensões e espaçamento relativo dos braços e na construção e estimulação da perna, em relação aos braços. Basicamente, o tronco pode ser de cerca de sete centímetros e meio a nove centímetros de diâmetro. Em um clássico Mook Jong, o tronco será de cerca de cinqüenta e quatro centímetros de altura. Os braços devem ficar cerca de doze centímetros do tronco. 

Configurando o seu Mook Jong 

Não há nenhuma altura específica para o Mook Yan Jong. Assim como você não usaria as mesmas configurações para cada pessoa em uma máquina de exercício, o Mook Jong precisa ser definido de maneira diferente para pessoas de diferentes alturas.Seu Jong deve ser configurado de modo que o braço fique em cima de seu ombro quando você está na frente do Mook Jong em uma posição neutra. 


Resultado 

O treinamento no Mook Yan Jong pode ajudá-lo a melhorar muito o footwork. Pode dar-lhe as ferramentas para redirecionar a energia de forma eficaz. Ele pode ajudá-lo a desenvolver as habilidades necessárias para encontrar o caminho de menor resistência com rapidez e facilidade. Ele irá treiná-lo para fechar todas as janelas de oportunidade para o oponente. Em suma, pode fazer de você um profissional mais eficiente e aumentar seu nível de conhecimento geral, se você souber como usá-lo corretamente. Se você souber como usar o Mook Yan Jong, ele pode ser um grande parceiro de treino.Se você não fizer isso, e você optar por comprar um, ele pode se tornar um cabide muito caro.

domingo, 1 de maio de 2011

Wing Chun Showbussines - alguns famosos praticantes

Momento "Tv fama" do blog do Dido.Vamos dar uma pequena espiada em alguns artistas famosos que se interessaram e que de certa forma ajudam a divulgar a arte marcial chamada wing chun...




Impossível falar de wing chun sem citar o seu praticante mais famoso; Bruce Lee,afinal, ele foi o responsável em grande parte,pela popularização das artes marciais chinesas,em especial o Wing chun.


Robert Downey Jr, um dos atores com histórico conturbado de hollywood também dá uma canja no wing chun



Donnie Yen é um dos atores mais famosos na Ásia atualmente e praticante de vários estilos de kung fu,protagonizou os dois primeiros filmes sobre a vida de sitaigung Yip Man






Pra quem assistiu Perigo em Bankok,pôde dar uma sacada no tang chi sao de Nicolas Cage...








Christian Bale durante as filmagens de Batman,teve aulas de wing chun






Michele Yeoh também é uma famosa atrz asiática pelas performances com movimentos de wing chun






Jackie Chan é praticante de wing chun desde os anos 80,tendo treinado com Leung Ting



quinta-feira, 21 de abril de 2011

Um Mês com o gênio negro do Kung fu Wing Chun entrevista da Fighter Magazine com o sifu Marcos Abreu

UM MÊS COM O GÊNIO NEGRO DO WING CHUN









Sifu Marcos Abreu conta em entrevista sobre seu treinamento na China em companhia dos Sifu Marcelo Florentino e Cláudio Rangel, sob a orientação do mais testado e menos divulgado dos discípulos de Yip man, Duncan Leung. Lá o parceiro de lutas de Bruce Lee falou do filme sobre seu mestre, e surpreendeu com declarações polêmicas, publicadas com exclusividade pela Fighter Magazine*.

FM (Fighter Magazine): Qual o objetivo da viagem de vocês à China?

SM (Sifu Marcos): Estivemos por mais de um mês em Foshan (a cidade onde o Wing Chun se desenvolveu na segunda metade do séc. XIX), para treinar especificamente a aplicação da luta em combate mano a mano, orientados por Sigung Duncan Leung, Mestre de nosso Sifu Li Hon Ki. Nós contávamos com a ajuda de quatro lutadores profissionais de Muay Thai, um deles sendo o atual campeão mundial em sua categoria de peso, e um três vezes campeão. Era uma dura rotina de seis horas por dia, tivemos muitas dificuldades, mas foi gratificante. Sigung Duncan disse que sairíamos de lá pessoas melhores, mas só no final do período pudemos entender o significado daquilo que nos disse.

FM: Foi uma mistura de Wing Chun com Thai boxe?

SM: Não, definitivamente. Os lutadores de Thai tinham a função de nos ajudar atacando de forma realista, durante o treinamento com equipamento, e fazendo sparring livre. O objetivo era justamente aplicar o Wing Chun tal como ele é contra os ataques mais comuns de uma luta especializada em ringue. Muitas escolas de kung fu estão virando variação de kickbox com quedas, pelo fracasso do jeito tradicional de lutar, e no caso do Wing Chun, a sua característica conceitual leva as pessoas a fundi-lo com tudo, mas isso no geral também é usado como desculpa e esconde os defeitos das escolas. Na nossa escola, o objetivo é mais modesto, e ao mesmo tempo mais nobre, Duncan Leung não quer que sua arte morra com ele, por isso treina os professores não só para combater simplesmente, mas combater aplicando e entendendo como funciona a técnica original do Wing Chun, sem sincretismos.

FM: Qual o resultado dos combates?

SM: Se você entender que os combates não visavam uma comparação entre o estilos em termos de finalidades, posso dizer que foi bem proveitoso. Não podemos nos comparar a lutadores profissionais, inda mais quando se tratam de lutadores top. Era fácil ver a diferença entre os estilos e os pontos fortes de cada um. Continuo com a minha visão que o Wing Chun é para situações mais amplas que envolvem o conceito defesa pessoal, embora estivéssemos lutando como strikers, com luvas de boxe, e o treinamento tivesse uma clara orientação para ringue, e nós mesmos gostemos de ir ás competições. Mas como estávamos lutando contra lutadores realmente diferenciados, apanhamos um bocado, porque tínhamos de tentar de todas as formas aplicar a técnica, estávamos arriscando coisas novas, mas tivemos também nossos momentos, e os mais experientes tinham uma grande facilidade para usar, por exemplo, o cotovelo à curta distância e toda espécie de golpes nas articulações, a própria mecânica da luta favorece isso, mas era preciso cautela, porque não há como treinar isso plenamente, os thai boxers eram nossos parceiros, não inimigos.

FM: Duncan orientava vocês durante os sparring?

SM: Sim, ele é um motivador nato, acredita muito no treinamento e na insistência. Quando íamos mal, Duncan nos dizia: “Tiveram um dia ruim? Hora, relaxem, vocês estão tentando isso contra profissionais. Lutar é um jogo. Na juventude, eu tentava os chain punches e voltava para casa com o nariz sangrando, mas duas semanas depois, era eu quem fazia o outro cara sangrar. Se você não o pega amanhã, pega depois, senão amanhã daqui a mês, senão daqui há um ano. Isso era luta para mim, quando era garoto. Quando conseguirem controlar o medo, saberão que não há limites para vocês. Vão para casa e pensem nisto esta noite.”

FM: Parece um bocado diferente do discurso filosófico e ordeiro do Wing Chun atual.

SM: Para Duncan, só existe dois tipos de Wing Chun; o que funciona, e o que não funciona, ele não liga para origens, discursos, porque ele não vive de arte marcial, ao contrário de auto-intitulados “grão-mestres”, título que o próprio Yip Man nunca usou. Duncan é um empresário de sucesso, e a filosofia do Wing Chun para ele se resume a uma questão: “Você consegue aplicar numa luta de verdade aquilo que treinou na academia?” Esta foi a preocupação chave dele desde que começou com Yip Man, ainda criança. Ele lutou centenas de vezes, não apenas em torneios, mas naquelas lutas de vida ou morte, em diferentes situações de combate armado ou com mais de um oponente, por duas décadas, parando por volta dos trinta anos, como uma espécie de Musashi moderno, e ouvimos muitas histórias de seus alunos sobre suas lutas. Ele é um sobrevivente, sua importância no Wing Chun é definitiva, Yip Man já dizia isso pouco antes de morrer, e ainda assim ele acessível e humilde, apesar da personalidade forte. Na hora do almoço, por exemplo, todos vinham esgotados do treinamento e enchiam seus pratos, e sobrava pouca coisa na mesa, claro. Então Duncan se levantava calmamente, depois de todos terem comido e estarem satisfeitos, e ia lá e fazia seu prato. Aquilo me marcou muito. Filosofia não é conversa sobre yin, yang ou monges de duzentos anos atrás, é atitude, postura. A filosofia do wing chun é eminentemente prática.

FM: Mas existem diferenças técnicas visíveis entre todas as escolas que vieram de Yip Man, e todos dizem que funciona, e que seu jeito é o correto. Qual a razão disto ocorrer?

SM: Nós perguntamos a mesma coisa a ele, essa é uma pergunta muito recorrente no wing chun, todos tem sua teoria, mas a resposta dele foi muito simples, muito categórica, e falou com aquele vozeirão que ele tem, entre baforadas de cigarro: “Vocês querem saber a verdade? A verdade é que Yip Man não se importava”. Muita gente fala muita coisa, que Yip Man teria guardado o segredo somente para alguns, ou que a luta varia de acordo com a interpretação, mas a realidade é que ele não estava nem aí, e isso é tudo. “Se alguém tinha uma dúvida, Yip Man dizia: vá para casa, pense, e amanhã me traga a resposta. No dia seguinte, o cara vinha, mostrava o movimento e ele dizia: - Ora, você é um gênio, é o melhor!” Mas na verdade, estava pouco se lixando, então cada um faz do jeito que acha que é certo, mas Yip Man não ensinou sua arte em profundidade a essas pessoas e são justamente essas mesmas pessoas que difundem o estilo pelo mundo afora. Se alguém vinha e dizia que queria lutar, ele dizia: “Ok. Faça Chi Sao, faça forma...” mas Duncan explicou-nos que essas coisas sozinhas não ensinam ninguém a lutar. Yip Man via muitos de seus alunos com poucos meses de treino abrindo escolas muito perto da dele, e isso o deixava muito triste. Quando chegou a Hong Kong fugido da China comunista, dormia na frente de um templo, na sarjeta...Ele tinha sido um aristocrata, não sabia fazer nada além de arte marcial. Até que Leung Sheung, que seria seu primeiro aluno em Hong Kong, ajudou levando-o ao sindicato dos restaurantes, onde passou a dar aulas, por 8 ou 12 Hk dólares...por mês!

“Yip Man era um junkee, viciado em ópio”, ele continuou. Era algo comum naqueles tempos, um costume ligado a uma época que estava morrendo na China. Ele não tinha condições de manter esse vício, porque era muito caro. E ele sofria mais ainda com sua mulher, que tinha o vício em total descontrole. “Quem podia suportar isso?”

FM: Então a história não é tão bonita quanto se conta...

SM:Não. Duncan demonstrou uma maturidade incomum para a sua idade quando foi até Yip Man pedir para abandonar o treinamento, pois achava que o Wing Chun não prestava para combate, já que nas lutas contra outros estilos, nunca via ninguém ganhar de forma realmente convincente. “Ora, tenha paciência, em poucos anos ficará bom, porque tem talento”. Então Duncan disse: “Muitos dos meus irmãos mais velhos já estão aqui há alguns anos e não são bons”. Yip estava muito surpreso. Ele perguntou então ao garoto de treze anos.“Você tem 300 dolares aí?” Duncan não pestanejou e disse que sim, e o velho mestre passou a pacientemente lhe ensinar, Duncan por sua vez ia testando seus novos conhecimentos nas ruas, e eles se tornaram grandes amigos, Duncan o tratava como um pai, e ele tornou-se seu primeiro discípulo de “portas fechadas”, após passar por todas as fases rituais do Bai Si, a cerimônia tradicional de discipulado. Muita gente passa a imagem de que Yip Man era um velhinho sábio, infalível e sem problemas, e fazem isso porque querem manter as aparências, mas Duncan não precisa disso, ele não tem papas na língua. Ele nos passou a imagem de alguém mais humano. Yip Man jamais ensinaria como aplicar a arte plenamente em combate se não fosse pago suficientemente, e se a pessoa sobretudo não valorizasse demais aquilo que aprendia. Mas quero ressaltar que não era uma questão apenas de dinheiro, tanto é que ele escolheu pelo menos um discípulo a quem ensinou todo o “applied” wing chun de graça.


clique para ver a foto em tamanho real
Sifu Duncan Leung




FM:Quem?

SM:Seu nome é Alan Lee. Yip Man sempre o via varrendo o chão da academia de um de seus alunos (Lok Yiu, morto em 2006), e aquilo o impressionou. Entretanto, como Yip Man àquela altura já estava muito velho, ele não tinha força física para mostrar como aplicar as técnicas para combate, então ele fez uma lista com cinco de seus principais discípulos que eram jovens o suficiente para ensinar. Duncan estava no topo da lista. Ele então foi procura-lo, e o resto é história. Ele estava lá e nos treinou também.

FM:Então esta história que a idade não faz diferença no wing chun...

SM:A força faz diferença. “Vocês já ouviram que Yip Man dizia que não era preciso força para lutar Wing Chun? Essa idéia é estranha para vocês?” Não, nós respondemos, muita gente fala isso. “Mas Yip Man não disse isso, o que ele disse é que você não tem de se opor à força, o que é muito diferente” Força é algo fundamental no Wing Chun. E então Duncan nos explicou de modo muito simples toda a teoria de combate do sistema. Isso nos deixou a todos muito honrados, e ficou muito evidente o prestígio que nosso Sifu Li Hon Ki tem com Duncan.

FM: E o filme sobre a vida de Yip Man, lançado com Donnie Yen no papel principal, o que Duncan achou dele?

SM: Já saiu o segundo mas do primeiro ele disse, “Bullshit” (risos). E quando insistimos, ele repetiu, muito calmo, enquanto nos interrompia: Bullshit. Curiosamente, dias depois, durante o nosso treinamento, vimos um homem com um jeito meio Bruce Lee e mostrava ao Alan Lee seus movimentos de Wing Chun. Alan apenas mandava que ele tentasse aplicar aquilo, para logo depois rir bastante, porque obviamente não funcionava, e ensinava o mesmíssimo movimento, só que feito do jeito correto. Depois soubemos que o sujeito era coreógrafo da continuação do filme de Yip Man, que estava lá a convite do Darren Leung, filho de Duncan e que na época trabalhava na continuação do filme. Filmes servem para divulgar e como um saudável entretenimento, mas aquilo que se vê nos filmes não serve para a luta de verdade. Eu particularmente acho ridícula uma cena em que Donnie fica fazendo um milhão de socos num carateca já caído no chão. Para que socar daquele jeito se o cara está no chão? Isso expõe o grau de alienação técnica que há no público regular de wing chun. Mas como entretenimento é bacana...

FM: E daqui para frente, quais os planos de vocês?

SM: Continuar melhorando o nível técnico do Wing Chun no Brasil. É o nosso desejo, e foi nisso que estava pensando quando aceitei o convite de meus irmãos mais velhos no kung fu para ajudar a fundar, com autorização do nosso mestre, a Applied Wing Chun Brazil, que foi idealizada com um estatuto moderno pelo Marcelo Florentino, um dos primeiros praticantes de brasileiros, um cara muito experiente, muito técnico e que tem uma grande escola em São Paulo. Este estatuto tem uma preocupação com a ética que é inédita. O Cláudio Rangel, atual presidente da nossa associação, coordena nossas ações e é um estrategista, além de ensinar privativamente também. Adorei conhece-los pessoalmente na China, e eles me ajudaram muito em tudo, tanto com o idioma inglês que ainda não domino plenamente, com os problemas de viver num país estranho, aprendi com eles, eles compreendem muito o mundo do Wing Chun e têm de mim todo o respeito e admiração. Há também o Alberto França, que foi meu primeiro professor, me apresentou Li Hon Ki e o convenceu a me ensinar, doze anos atrás. França desbravou o Wing Chun no nordeste literalmente na pancada. Eles são humildes, respeitam verdadeiramente Sifu Li Hon Ki. Eu procuro ajudar no que posso, porque meu foco ainda é treinar e melhorar meu jogo, mas você não treina em alto nível no Brasil se não cria condições para isso. Acho que Sifu Li Hon Ki está feliz conosco, de termos nos unido, porque ele nunca gostou de divisão dentro da família. Ainda assim, eu tenho uma boa relação de amizade e respeito com a maioria dos meus outros irmãos que preferem não trabalhar conosco.

^FM:O Wing Chun que Li Hon Ki ensina é voltado para competição?

SM:Isto é um ponto importante. Li Hon Ki nos ensinou da maneira tradicional. Vamos para a competição porque o perfil do nosso wing chun provoca isso, porque as pessoas querem lutar para se testar, mesmo sabendo que a competição não é o ambiente ideal para o Wing Chun, como não é para lutas de perfil e objetivos parecidos, como o Krav Maga, por exemplo. Há anos os principais alunos de Li Hon Ki no Brasil foram ás competições de kung fu, e mesmo nosso mestre não tendo tempo para nos ajudar mais diretamente, pois ele não trabalha diretamente com o Wing Chun, ganhamos muitos títulos contra nossos irmãos de outros estilos de kung fu. Perdemos também, mas todos os que lutaram têm pelo menos um título. Mas hoje está mais difícil, porque as escolas evoluíram e fazem luta de competição de alto nível, abandonando o jeito tradicional de lutar e adotando técnica de ringue de lutas consagradas como boxe e thai. No Wing Chun isso não é possível, pois os objetivos da arte exigem estruturalmente um repertório técnico/biomecânico muito peculiar.

FM:Pode explicar melhor?

SM:O soco é diferente, o padrão defensivo também, porque tem grande influência da luta de facas duplas. O ambiente de luta do Wing Chun pressupõe uma desvantagem do praticante, seja de força, seja de número ou de meios, ele é funcional porque segue um método que pode fazer você recombinar padrões defensivos complexos com facilidade, que servem tanto para socos e chutes quanto para armas, e no contraponto os contra ataques são muito simples e fáceis de executar. Amplitude de possibilidade de ação é o ponto forte da luta, mas também é a sua maior limitação para o aspecto de competição com lutas mais especializadas. Como manter nossa arte viva e em sincronia com a evolução no jeito de ver as artes marciais com a popularização do MMA, por exemplo? As pessoas têm respondido essa pergunta abandonando a aplicação da técnica tradicional, mas para nós essa não é resposta.

FM: O que você acha da atual situação do Wing Chun no Brasil?

SM: A realidade do Wing Chun hoje em dia é a venda de certificados ou adoção de franquias internacionais por professores antes charlatões, que batem foto com mestre famoso que vem ao Brasil ganhar 20 mil reais num final de semana, para depois sairem abrindo escolas por todo o país, mas não tem experiência com Wing Chun de verdade ou qualquer experiência de luta, seja na rua, seja no ringue. Como você vai ensinar alguém a luta se você mesmo não sabe? Como vai ensinar a defender se nunca teve de se defender? Isso vai acabar criando outra geração de alienados marciais, “esquizotéricos”, para usar uma expressão do meu amigo José Augusto Maciel Torres. Sou totalmente contra essa idéia de filme que o cara entra em contato com um mestre e de uma hora para outra se torna indestrutível. Isso é ilusão! O que existe é um trabalho duro, de anos, para você transportar o âmago de uma arte marcial para um outro país, uma outra cultura. No meu caso e de meus irmãos wing chun, somos os primeiros ocidentais na linha de sucessão. Quem não admite que há um choque cultural estará mentindo. Muita gente também procura nosso Sifu para treinar e não acha importante trocar idéias e experiências conosco, que somos mais velhos já passamos por todo este processo antes. Eles não têm idéia do quanto uma atitude destas custa em termos de tempo para compreender a arte, o quanto elas atrasam a vida de seus próprios alunos apenas para supor uma exclusividade, um nome ou uma marca. As pessoas querem fazer oba-oba em torno do nome do mestre e ganhar dinheiro, não querem aprender seriamente. Esta é a realidade do Wing Chun, todo mundo sabe disto, mas ninguém fala. Pergunte a noventa e nove por cento do mestre como foi sua formação e ouvirá uma história mal contada. Mas todos eles tem um diploma comprado no exterior.

FM: É essa a visão que você passa no livro Kung Fu Wing Chun?

SM: Uma visão mais realista? Sim, é isso. É preciso frisar que essa é uma obra que está sendo vendida nas bancas, especialmente para o público leigo, e tem uma linguagem mais acessível, simples, do que teria uma obra mais densa, mas eu particularmente queria romper com a visão de estilo da porrada maluca, que acaba com tudo e com todos em segundos, porque além de não ter nada a ver com a luta em si, é uma propaganda muito canalha, desonesta, mesmo, não condiz com a real técnica, mas ainda é vigente no mundo inteiro, e nos fez de piada no mundo das artes marciais, a realidade é essa.

FG: Dizem que o wing chun é para a luta real, onde não haveria regras etc.

SM:Este raciocínio não é de todo incorreto, mas o que é luta real pra você, uma luta sem regras? Você acha que um lutador profissional não saberia jogar sujo se quisesse? Apesar de potencialmente mais perigosa, este tipo de luta em geral te dá no máximo um olho roxo. Uma luta de vale tudo não parece real para quem está lutando? Eu prefiro usar a expressão combate em ambiente “não-controlado” ou “irrestrito” porque envolve todo tipo de situação de combate.

As pessoas falam: “O Wing Chun é pra rua”, em geral para justificar o fato de não ser muito adaptável para lutas profissionais. Mas eles não sabem o PORQUÊ do wing chun ser mais voltado para este tipo de confronto, não sabem explicar isso analisando os golpes, a estratégia. Foi isso que tentei fazer, relacionando teoria e prática. Toda arte marcial traz uma resposta pronta para determinado problema na luta, não é tudo o que se pode fazer numa luta. Este é o ponto chave, que os alienados do Wing Chun não entendem. Você não vê as pessoas criticarem o Aikido, por exemplo, por não estar no MMA, e isso acontece porque eles não tentam ser aquilo que não são, ao contrário dos mestres de Wing Chun que dizem que matam qualquer um em três segundos, mas é só papo furado.

Todo bom policial que conheci gostaria de conhecer o Aikidô para poder fazer seu trabalho melhor e dominando fisicamente sem machucar os suspeitos e sofrer punições por isso. Continuando o mesmo raciocínio, você não vê lutadores de se boxe se embolando no chão num ginásio. Mas ninguém pensa em entrar numa competição de MMA sem saber boxear, entende o que eu digo?. Eles tentam ser fortes naquilo que são bons, porque tem técnica para isso. No Wing Chun, os caras sequer fazem luta dentro da academia, e querem dizer que vão matar um profissional de luta chutando seu saco, enfiando o dedo no olho??!! É ridículo, óbvio! Infelizmente o Wing Chun ainda é a arte que atrai a maior quantidade de malucos por metro quadrado. Mas podemos mudar isso.

FM: O livro alcançou seus objetivos?

SM:Queria que os leigos sentissem que esta arte pode servir para quem não tem grande dotes físicos, pessoas comuns, esta é a idéia da luta, que não é preciso ser muito talentoso para ter sucesso na arte marcial, e tentei dizer isso com menos discurso e mais técnica, mostrando como funciona. O livro é um sucesso nos países onde foi lançado, mas é o wing chun que está de parabéns, porque é uma obra muito honesta, e é o que mais está faltando no wing chun hoje, honestidade na proposta, e no modo de divulga-la, e isso acaba beneficiando a todas as pessoas sérias que trabalham por nossa arte.