quinta-feira, 15 de agosto de 2013

A farsa do Hei Ki Boen Eng Chun/ Black Flag Eng chun

Há alguns dias atrás em uma rede social, resolvi abordar alguns assuntos que, por ''etiqueta'' nunca tinha feito antes publicamente, muito embora nos 'bastidores', as pessoas com quem me comunico, tanto diretamente quanto via internet, já sabiam de meu posicionamento sobre esses assuntos ''controversos'' (assim mesmo, com aspas). Dentro disso, analisando pelo meu próprio desenvolvimento ético que envolve a arte marcial, percebi que o mais justo seria reafirmar meu posicionamento, só que desta vez, em público, para que as pessoas saibam que, mesmo tendo ótimo relacionamento com as mais diversas vertentes da arte marcial do wing chun, certas coisas não podem passar despercebidas e quando algo desse tipo acontece, nós, que julgamos ser artistas marciais sérios, devemos nos posicionar, agradando á uns e desagradando á uns outros, o que é inevitável nesses casos.

Antes de entrar definitivamente no assunto, a primeira coisa que fiz foi reler os textos da antiga comunidade do wing chun no orkut, para poder ter mais base ainda e não falar nada sem um conhecimento mais firmado e menos leviano - no sentido de falar sem ter o mínimo de embasamento - e poder conjecturar uma opinião que pudesse ser estruturada sem ter de usar uma linguagem menos formal, digamos assim.
Tendo isso posto, e dando um pequeno salto cronológico, fiquei bastante empolgado com o fato de Sifu ter dado seu apoio quando postei o texto a seguir, reproduzindo uma pequena parte da discussão do já citado fórum do orkut e logo em seguida ter postado de forma extremamente clara sobre esse mesmo assunto em seu blog ( http://appliedwingchunsalvador.blogspot.com.br/2013/08/o-ntem-tive-uma-otima-conversa-com-o.html ), sendo assim, essa postagem será um complemento á mais pra quem desejar se inteirar mais sobre a farsa criada pelo Benny Meng sobre seu Wing Chun da Bandeira Negra.

A fraude do Hei Ki Boen Eng Chun

Se você chegou até esta linha e se deu ao trabalho de ler a postagem de Sifu mencionada no parágrafo á cima, já deve ter percebido o quão escrota é a fraude deflagrada pelo Benny Meng e seu ''wing-chun- secreto-recém-descoberto-por-ele-mesmo'',o que para os praticantes do Yip Man Wing Chun ou das vertentes das linhagens advindas de Fo Shan é um grande desrespeito. Mas uma figura central nisso tudo merece destaque e nossa admiração;

Marcelo Alexandrino é um sujeito que desde já, tem minha admiração pessoal. Destarte os acontecimentos em sua vida pessoal - o que me fizeram ter mais apreço por sua figura - já era claro que ele era um cara de coragem e atitude. Quando ele postou o texto a seguir na comunidade wing chun no orkut, deu uma maior demonstração de amor á arte marcial chinesa e de consideração aos praticantes de wing chun, isso tudo de uma vez só.Sendo assim, segue o texto postado pelo Mestre Alexandrino, com tradução de Sifu;

Comunicado GM Tio Tek Kwie s/ "Bandeira Negra"
Este é o comunicado do Grão-Mestre Tio Tek Kwie, ex-sifu do sr. Lin Xiang-Fuk, sobre seu ex-aluno (expulso da família marcial do GM Kwee King Yang) e a farsa chamada "Black Flag Eng Chun" (cf. 
https://www.facebook.com/groups/166758633161):
I'm Very dissapointed that my lessons about being a good and rightgeous person did not succeed by my student , I have to apologize to the Wing Chun community for having supported his Lie about Black Flag Wing Chun my reasons for doing so were none other then to help him set his business up in the US as he convinced me that Wing Chun would be the way to go marketing wise,i did not realise the consequence of this decision. 
Again my sincere apologies for making this mistake,and i hope that my ex student can do the same,by disclosing the truth and giving his apologies to the Wing Chun world. in the past i have on several occasions followed his instructions to talk about my Teachers art as Wing Chun but i want to make it very clear that my teacher told me personally that the art is called 18 Lohan Hand
furthermore i want to state that my relationship with my kung fu brother The Kang Hay cannot be broken by lies,dont ever try to break our relationship and that this photo of our reunion were all the direct student of kwee king yang are sitting should be proof enough.
this is going to be my only written comment on all of your accusations as the Truth should indeed be protected at all times and especially the Honor of my beloved teacher Kwee King Yang.
Sincerely,
Sifu Tio Tek Kwie
http://www.facebook.com/photo.php?fbid=204074072952655&set=t.100000501900492&type=3&theaterhttps%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fgroups%2F166758633161%2F


"Eu estou muito desapontado que as minhas lições sobre ser uma pessoa boa e honrada não tiveram sucesso por parte de meu estudante, eu tenho de pedir desculpas à comunidade Wing Chun por ter apoiado a sua mentira sobre Wing Chun da Bandeira Negra.

Minhas razões para fazê-lo foram tão somente nada mais que ajudá-lo a estabelecer seu negócio nos Estados Unidos assim que ele me convenceu que Wing Chun seria o caminho para fazer a propaganda mais apropriada, eu não percebi a conseqüência da minha decisão.

Novamente minhas sinceras desculpas por cometer este erro e eu espero que meu ex-estudante possa fazer o mesmo através da revelação da verdade e pedir desculpas ao mundo do Wing Chun. No passado eu tinha em algumas ocasiões seguido suas instruções de falar sobre minha arte de ensino como wing chun, mas eu quero deixar muito claro que meu professor me disse pessoalmente que a arte é chamada de 18 maos de Lo Han.

Além disso, eu quero estabelecer que meu relacionamento com meu irmão kung fu, o Kang Hay, não pode ser quebrado por mentiras, não tentem nunca quebrar nosso relacionamento e que nessa foto de nossa reunião estavam todos os estudantes diretos de Kwee King Yang que estão sentados e isso deve ser prova suficiente.

Este será meu único comentário escrito sobre todas as suas acusações quanto à verdade que realmente deveria ser protegida em todas as ocasiões e especialmente a honra do meu amado professor Kwee King Yang.

Sinceramente,
Sifu Tio Tek Kwie."


O texto acima , juntamente com a entrevista feita pelo mestre Sérgio Iadarola com o mestre de 18 mãos de Lohan , Sifu Tio Tek Kwie (ver www.appliedwingchunsalvador.blogspot.com ), desmascaram de vez a farsa inventada por Benny meng para o que ele chama de Black Flag Wing Chun, vendido como ''wing chun original de shao lin''.

 Agora você que está lendo, pode se perguntar; 
Porque esse cara está falando e mostrando isso???

A resposta é simples; Como um praticante que leva seu esforço,aprendizado e seu treinamento muito á sério, que faz um tremendo sacrifício em todas as áreas de atuação para aprender e compreender um conhecimento ancestral com um legítimo mestre da nona geração do wing chun kuen phai, mesmo sem ganhar com isso vantagens, tapinhas nas costas ou qualquer tipo de status, é uma obrigação ética e moral para com o conhecimento que venho adquirindo,para com os meus mestres,para com a sociedade marcial e a sociedade em sí. 

Ademais, pessoas que se pretendem estudantes de wing chun precisam de pontos de reverência que possam dar um norte para elas de forma clara, sem enrolação ou papo-furado. Pessoalmente, acredito e estou convencido de que essa farsa montada pelo Benny Meng - o cara mais execrado da comunidade internacional do wing chun -  para um ''estilo de wing chun secreto'' nada tem a ver com nossa arte marcial.

Leiam o texto no blog de Sifu, que esmiúça todo o ocorrido de forma bem simplificada. Procurem as referências descritas aqui. Assistam, se possível a entrevista feita pelo Sifu Sérgio com o Mestre Tio Tek Kwie que numa postura ética, soube ser macho o suficiente para admitir uma falha e pedir desculpas públicas para toda a comunidade wing chun e tirem suas próprias conclusões sobre esse assunto.


Links:

Declaração pública do GM Tio Tek Kwie sobre a farsa do Hei Ki Boen Eng chun



Fórum de debate no orkut:


Texto recente de Sifu sobre o assunto:









quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Blog do Dido recomenda; A arte da Guerra


Voltando com a coluna ''Blog do Dido recomenda'', hoje falaremos sobre o clássico livro de estratégias ''A arte da guerra'', escrito por Sun Tzu há mais de 2.500 anos.

O livro é obrigatório para quem pretende entender sobre as táticas estratégicas de combate e hoje em dia, suas premissas podem ser aplicadas em várias áreas de atuação da vida como negócios e relacionamentos, tanto sociais quanto e até mesmo emocionais. Excetuando-se isso, o livro na verdade trás em seu texto, uma ampla visão da lógica  do pensamento clássico chinês e em ultima instância, do kung fu em vários aspectos.

Li esse livro em meados do ano passado e relutei em escrever sobre o mesmo, pois é um título que pode ser muito óbvio de se falar. Mas relendo-o hoje, percebe-se o quão incrível é sua estrutura e o quanto o General Sun Tzu percebia e aplicava seus conhecimentos estratégicos calcados no taoismo clássico chinês.

Caso queiram ler, vai uma dica importante; Evite a versão para empresários e busquem a versão ''clássica'' e de preferência sem edições, ou mesmo aquelas em livretos resumidos.


domingo, 4 de agosto de 2013

Ip man; The final Fight





Parece mesmo que a industria cinematográfica asiática não quer deixar o nome do patriarca Yip Man em Paz. Ha alguns meses atrás foi anunciado o lançamento de mais um filme com o patriarca do estilo wing chun como personagem principal, bem parecido com aquele fenômeno dos anos 90 com o nome do herói chinês Wong Fei Hung nas franquias estreladas por Jet Li.

Menos de um ano após o lançamento de The Grandmasters, agora foi lançado ''Ip Man, The final Fight''. O blog do Dido assistiu a versão com legendas em inglês e hoje, falaremos um pouco sobre o filme...


O filme, se compararmos com os anteriores já lançados ( O Grande mestre 1 e 2, The legend is born, Yip Man e The grandmasters) é o que de todos, mais se aproxima de uma biografia. A narrativa começa sob a perspectiva de um dos filhos de Yip man e conta de sua chegada em Hong Kong , passando pela fundação da Ving Tsun Athletic Association, até seu falecimento.


Claro que num filme como esse, as cenas de ação  não podem faltar e The final Fight tem algumas sequências bastante legais, do ponto de vista do entretenimento. È bem um ''filme de kung fu'' no mais amplo sentido desse nome, onde cada golpe desferido vem com um kiai curto e rápido...como nos filmes old school, das lendárias terças á noite da antiga ''sessão kickboxer'' que passava na rede bandeirantes...


Estrelado por Anthony Wong, o filme aborda uma fase mais ''tardia'' de um idoso Yip Man.A película começa com uma cena bastante interessante; O filho de Yip Man, Ip chun passando uma peça de roupa enquanto assiste uma demonstração do Bruce Lee na tv,enquanto Yip Man está cuidando de um pequeno jardim, logo a narrativa segue; '' Ip man era meu pai.A julgar pela sua aparência, poucos poderiam dizer que era um especialista em artes marciais e mestre de um renomado astro de ação.'' No final do filme, Bruce Lee aparece mais uma vez e embora o tenham colocado bem caricato, com trejeitos mais efusivos que o de costume (bem, é dificil mesmo alguém fazer o papel de Bruce Lee no cinema sem cair no pastiche da imitação barata,com exceção de Jason Scott Lee em ''Dragão a história de Bruce Lee'',que o interpretou muitíssimo bem).

O filme aborda a relação de Yip Man com alguns de seus alunos, como Leung Sheung, seu primeiro aluno em Hong Kong e sua inicial relutância em ensinar wing chun.
Muita gente criticou as cenas de ação dessa película, mas independente de ter sido ou não melhor que o Donnie Yen nos dois primeiros filmes, ou tão vigoroso quanto as cenas de luta de Tony Leung, a atuação de Anthony Wong é bem bacana sim e como dito, remete aos filmes old school de kung fu que estamos acostumados a ver.Uma das lutas que denota bem isso é a de Yip Man contra o mestre de Pak Hok.


Mas diferentemente de outros filmes, The final Fight trata de expor as dificuldades de uma Hong Kong em meio á uma guerra e personagens passando por situações extremas, como a venda de filhos mais novos para sustentação da família, algo que pro ocidental médio é absurdo mas que na china antiga e até meados do século passado ainda acontecia. O Yip Man apresentado em The final Fight não passa alheio á essas dificuldades e a solidão.A certa altura, o personagem Yip se pergunta; ''Pra quê serve o kung fu se nem consigo ajudar á um amigo em necessidades???''.
Existe também uma tentativa de ''humanizar'' mais o personagem Yip Man, talvez numa forma de deixá-lo menos parecido com um cara super imbatível,quase um neo de Matrix, para mostrar uma pessoa mais real, mostrando-o em cenas do cotidiano comum, indo ao dentista, almoçando, ou mesmo flertando, tudo ao modo chinês,claro...o que é algo bem interessante de se ver.



Como as cenas de luta precisam de uma justificável no roteiro, seria meio impossível não se colocar as famosas ''gangues'' de Hong Kong. Mas talvez o grande atrativo do filme nem seja esse,mas sejam as lições de Wu De que estão inseridas meio que de forma subliminar.Quando um dos alunos durante uma conversa vai ofertar chá, e ele polidamente com um gesto acena para não o fazer - o que poderia ser interpretado quase como um Pai Si e talvez por essa razão, ele gentilmente recusasse - e ainda sim continua a conversa, ou em uma das falas mais bacanas, diz respeito a relutância em Mestre Yip Man abrir uma escola comercial frente á insistência de um de seus alunos ;
 ''Não se pode comprar kung fu como se compra ostras no mercado.''

Também é impossível não falar da participação de Yip Chun,que desta vez aparece como um simples comerciante que empresta o telefone ao Mestre Yip Man.



Bem, o filme como dito, é o que de todos se aproxima mais de uma biografia e é muito interessante de se ver, muito embora, claro, esteja ainda sim, longe de ser um retrato fidedigno da vida do patriarca do Wing Chun moderno. Mas o The final Fight diverte quem é realmente fã de filmes de kung fu.







Em breve, mais uma super postagem!







sábado, 20 de julho de 2013

Review; 40 anos da morte de Bruce Lee

Aproveitando a data, o Blog do Dido republica uma matéria sobre o aniversário de falecimento do mais famoso praticante de wing chun; Bruce Lee

                        

Há exatos 40 anos,em 20 de julho de 1973,falecia Bruce Lee, o homem que sozinho, conseguiu revolucionar não só a forma de se fazer filmes de ação, mas todo o contexto das artes marciais em níveis globais. Sua lenda continua viva desde sua prematura morte e hoje, Bruce Lee talvez seja o nome mais conhecido quando falamos em artes marciais. Não á toa, Bruce Lee hoje é reconhecido como “The original MMA fighter” e grande promotor da cultura chinesa no ocidente e o blog do Dido não poderia deixar de prestar sua homenagem.




Pra mim é bem difícil escrever sobre Bruce Lee, pois Bruce foi meu herói de infância, despertando o meu interesse pelas artes marciais desde muito cedo. È meio redundante falar sobre sua história de vida, mesmo que ela esteja diretamente relacionada ás artes marciais, mas ao invés de falar sobre sua biografia (facilmente encontrada em qualquer site hoje em dia), vamos nos ater ás suas contribuições reais ás artes marciais chinesas, ignorando todo o lendário criado após sua morte, para podermos realmente apreciar seu legado.
Bruce Lee ao chegar de Hong Kong, primeiramente lecionou aulas de Ving Tsun nos Estados Unidos, antes de iniciar sua carreira no cinema. Podemos considerar então que Bruce Lee foi o introdutor do Ving Tsun na América, mesmo que de forma extra-oficial, pois Lee não havia concluído seus estudos com Sifu Yip Man no estilo Ving Tsun. Isso por si só, já seria uma grande contribuição de Lee ao Ving Tsun, pois efetivamente o estilo só ficou conhecido por causa dele.



Quando Lee escreveu “Chinese Gung Fu-The philosophical art of self-defense”, acabou fazendo uma boa divulgação dos estilos chineses de combate á comunidade marcial dos EUA, que já estava bem habituada aos estilos de luta oriundos do Japão e da Coréia. Apesar de que o livro só o tenha tornado um ilustre desconhecido – devido á pouca tiragem - num primeiro momento, ele foi importante para Lee, pois seus contatos (e obviamente seus desafios) aumentaram á ponto do então famoso Ed Parker o convidar para uma demonstração, que abriria as portas para o cinema.
Quando Lee estava fazendo o seriado “The Green Hornert”, seus métodos de treinamento já haviam mudado em muito em relação á forma de quando ele treinava em Hong Kong. Obviamente sua visão do próprio Ving Tsun já havia mudado há muito. Seu incrível talento e velocidade nos movimentos de combate começaram á fazer sua fama e na sua própria interpretação, Lee se viu obrigado á estar sempre á frente, mesmo que pra isso, tivesse de se submeter á métodos espartanos e hard core de treinamento.
Com isso, Lee assinalava que nas artes marciais, mais importante que a habilidade especifica de luta era a participação individual do praticante em manter seu corpo em forma todo o tempo, para que este possa estar sempre preparado. Bruce Lee abriu os olhos dos praticantes de artes marciais para o desenvolvimento pessoal, complementando seu treinamento marcial com uma boa dieta e treinamento muscular intensivo. O método Cooper tinha em Lee um forte defensor.

Mais tarde,chateado com os plágios que outros mestres faziam de seu método, Lee batizou seu “estilo” de Jeet Kune Do, o que em tradução aproximada significa “O Caminho do punho que intercepta”.O caso é que Lee estudou em sua estada nos EUA vários estilos de combate,que lhe deram uma visão menos “restrita” em relação aos mestres ortodoxos.Mesmo assim, Lee afirmava contundentemente que seu único mestre era de fato, o Si Jo Yip Man. Aliás, a foto abaixo, mostra Si Jo Yip Man com Brandon Lee, ainda bebê, o que acaba com qualquer especulação sobre um possível desentendimento entre Todai-Sifu.

(Sifu Yip Man segurando Brandon ainda bebê, 1965)


Bruce Lee desenvolveu vários equipamentos para o treinamento e junto com o profissional das artes marciais Jhon Rhee, foram os responsáveis pelos protetores de Tae Kwon Do que vemos hoje. Ele desenhava esboços de equipamentos para treinamentos de força que seriam usados em seu treinamento complementar de musculação e George Lee, parceiro de treino e amigo construía o equipamento requisitado.



Sua visão não ortodoxa das artes marciais o fez ver muito além do seu tempo, tornando-o o precursor do moderno MMA, ao afirmar que seu Jeet Kune Do em essência era usar tudo aquilo que funcionasse em uma situação real de combate.Sua metodologia até hoje é analisada e discutida. Seu método de combate não era um estilo sistematizado, mas uma forma de pensar e de fazer o lutador encontrar qual o melhor método de luta para ele e não o contrário. Para Lee, eficiente – em se tratando de combate real - era tudo aquilo que dava resultado,literalmente.

De acordo com pessoas que conviveram diretamente com ele, Bruce Lee era um experimentador nato. Conseguia extrair o melhor de cada estilo de combate e assimilava o movimento até que ele o “incorporasse”. Obviamente, um lutador de tal renome se via constantemente desafiado. De acordo com Dan Inosanto, esses desafios não eram bonitos de se ver. Geralmente, Lee analisava antes o oponente e o combate acabava antes de se completarem 10 segundos.




O livro póstumo Tao of Jeet Kune Do mostra de forma clara como Lee pensava e se movia. Essa obra possibilitou as pessoas de vários lugares do mundo entender um pouco mais sobre a visão de Lee á respeito das artes marciais ditas “clássicas” e estabeleceu novos parâmetros para as artes marciais em geral. A intenção do livro, não era á de ser um manual de instruções, mas uma via para a apresentação da visão pessoal de um artista marcial dedicado.

(Foto rara de Bruce Lee no dia de seu casamento com Linda)

Como o cinema, Bruce viu o veículo perfeito para divulgar sua arte e seus princípios filosóficos. Tornou conhecido no mundo inteiro o Kung Fu chinês através de seus filmes, fazendo florescer o interesse dos ocidentais pela cultura oriental, além claro, de revolucionar o modo de como eram feitos os filmes de ação na década de 70.
Portanto, Bruce Lee foi não só um ator de cinema, mas um praticante de artes marciais cuja morte, há exatos 38 anos atrás não apagou sua lenda.

Alguns livros de Lee para download:




Tao do Jeet Kune Do- Português

domingo, 7 de julho de 2013

Termos da família kung fu

Desde o final do mês de Junho e começo de Julho, algumas coisas esquisitas e outras coisas bacanas vem acontecendo por essas paragens e eu iria reservar um pouco desse espaço pra falar não só do meus desenvolver no wing chun,mas dos 6 anos que se completam esse mês do primeiro show da minha banda de rock ,uma das mais relevantes no cenário underground recifense e que posso me dar ao luxo dar a alcunha de ''lendária'',já que entre os anos de 2007 e 2010, fizemos história - com shows caóticos -  no underground; a ECHO (sempre vale o marketing; www.myspace.com/bandaecho), até pra poder dar uma aliviada no blog. O caso é que com o tempo corrido, perdendo senhas de e-mails, material de entrevista, etc, e acabei nem escrevendo nada,muito menos divulgando outras coisas...

Isso sim, merece um post com compilações ''FAIL'' do blog do Dido...


Por outro lado, os treinamentos com o grupo, destarte as idas e vindas das pessoas e certos entreveiros já resolvidos, continuam á todo vapor e desde que migramos temporariamente pra um local fechado, estamos focando nos treinamentos de resistência, basics e força, visando preparação física e complementar ao treinamento que se seguirá - no meu caso especifico, em salvador.

(treinando ainda no parque da Jaqueira)

Dentro desse parâmetro, tem dois caras que estão treinando comigo e que eu achava sinceramente que eles não iriam ''durar muito', mas estão me surpreendendo pela dedicação e empenho; o Talis e o Nilson Júnior.


(respectivamente na foto; eu, Talis e Nilson, após o treino regular)


Talis vem de uma época em que segundo ele mesmo, o tio estudava Jeet Kune Do, com alguém que tinha contato com algum estrangeiro e esse tio,por sua vez, passava os conhecimentos para ele. Muito desse treinamento informal acabou prejudicando sua saúde,vista que seus ombros estão machucados e ele não pode forçá-los, embora ainda hoje, não ''arregue'' nos treinos duros.

O Nilson por sua vez nunca estudou nada de luta na vida. O que de certa forma tem lá suas vantagens e desvantagens. Sabe bater e quando quer, bate firme. Mas ainda não entende a estratégia da luta e procura no wing chun encontrar um jogo de combate que possa lhe auxiliar á pensar com raciocínio lógico aplicado. O que eu achei fantástico!!

Mas ai, dentro das nossas conversas durante os treinos, muitas vezes o Nilson não sabia como se dirigir, chamando-me de "Mestre'', de ''Si-hing'', ''Senhor'', ''Corôa'', ""Ancestral''...e alcunhas que me davam mais idade do que eu realmente tenho, o que me incomodava profundamente (risos). Sendo assim, essa postagem vai lhe ser muito útil tanto pro Nilson como pro Talis....

                                  Termos da família Kung Fu no Wing Chun

Pra não ficar uma postagem imensa, vou tentar resumir usando termos mais fáceis para que a assimilação seja mais eficiente. Assim, qualquer dúvida específica, pode-se consultar aqui mesmo o blog,pois há uma postagem experimental desse mesmo tema...só não sei onde, mas procura ai que você, querido leitor,poderá achar...rs, no momento, vamos nos ater apenas ás relações diretas dentro da família kung fu.

No wing chun, tratamos o treinamento segundo a perspectiva da estrutura familiar tradicional chinesa, onde temos a noção de Mo Lam (Família Kunng Fu, num termo mais abrangente),então os termos usados são praticamente os mesmos que definem a hierarquia familiar tradicional chinesa. Mas vamos colocar numa situação hipotética de um aluno recém admitido na família....

Quando um novato chega á um Mo Gun (recinto marcial, em cantonês, língua mãe do estilo wing chun), e este é admitido como discípulo, este é chamado de ''To Dai''. O To dai é o aluno regular  oficialmente aceito pelo Sifu (Mestre ''Pai''),que é quem vai cuidar diretamente de seu Kung Fu. Este To-Dai passa a ser o ''irmão mais novo'', ou ''Si-Dai'' dos alunos mais antigos do Sifu. Os alunos mais antigos por sua vez, são chamados de "Si-hing'', ou ''irmão mais velho'', sendo essas, as relações diretas dentro do Mo Gun.

(No caso do Nilson e do Talis, é um pouco mais apropriado que eles me vejam como Si-hing, muito embora esse termo ainda não se encaixe bem,pois sou mais um companheiro de treino do que um instrutor de fato.)

Se esse mesmo To-Dai tenha de se dirigir ao mestre de seu mestre? O termo usado será Si-Gung (Ou mestre Avô) o que sugere que ele seja o Sifu de seu Sifu. Se esse To-dai tiver de se dirigir ao Si-hing de seu Sifu,ou  irmão mais velho de seu Sifu, usará o termo Sibaak, ou seja, ''Tio mais velho'' no kung fu em relação á genealogia. Caso venha a se dirigir ao Si-Dai de seu Sifu, ou irmão mais novo de seu Sifu, este o chamará de Si Sok , ou seja, ''Tio mais novo''.

Essas relações diretas na família kung fu auxiliam ao To-dai em seu treinamento de forma direta, com exceção dos Sibaak e Si Sok,mas em alguns casos,por questão de proximidade, muitas vezes é comum praticar ao lado de seus ''Tios'' no kung fu e mesmo os discípulos de seus Sibaak ou Si Sok, que podem ser considerados ''primos kung fu'', no caso Si-Biu e pro caso dos que já lecionam Si-biu- Go, podem ser companheiros de treino ou não.O mais comum é que não,por causa não somente da metodologia de cada sifu, mas até por outras questões.


Pra quem se interessar por esse assunto, recomendo o excelente blog de meu amigo Pereira, cujo o assunto está esmiuçado com ricos detalhes nesse assunto.

* Agradecimentos especiais á Sibaak Florentino que me auxiliou em alguns termos e a Sifu pelo conhecimento transmitido com tanto Zelo.

terça-feira, 25 de junho de 2013

R.I.P Master Lau Kar Leung

Mestre Lau Kar Leung faleceu nesta terça feira, após uma batalha contra um câncer. Era uma lenda viva das artes marciais e do kung fu chinês, em especial no estilo Hung Gar, do qual era uma autoridade e descendente direto do lendário Wong Fei Hung. Uma perda inestimável para as artes marciais chinesas e o blog do Dido deixa aqui sua homenagem.


sexta-feira, 31 de maio de 2013

Blog do Dido Recomenda: Bruce Lee, A arte de Expressar o corpo humano







Enquanto não sai a entrevista com meu Sibaak Cleber Domingues,o Blog do Dido recomenda esta obra muito interessante para qualquer artista marcial de qualquer estilo. O livro Bruce Lee A arte de Expressar o corpo Humano, compilado por Jhon Little, discípulo de Bruce Lee é uma publicação da Conrad publications e é um bom complemento ao best seller Tao of Jeet Kune Do,pois parte das anotações da agendas do próprio Bruce Lee. O livro não se foca na técnica do Jeet Kune Do, mas em como Bruce Lee também focou seu treinamento para o desenvolvimento pessoal,melhorando seu condicionamento físico através de seus métodos de treinamento,abordando desde os exercícios físicos até sua nutrição,visando chegar nos resultados que o tornaram um dos físicos mais invejados entre os lutadores de artes marciais. Por isso, ''A arte de expressar o corpo Humano'', torna-se assim um guia completo e essencial de preparação física. O livro ainda trás fotos muito legais dos aparelhos de treino de Bruce Lee e dele mesmo exercitando-se,nos set de filmagens,etc...

Simplesmente indispensável!